Mother, did it need to be so high?
Eu lembro que tinha uma piada, que acho que era na verdade uma fábula disfarçada de piada, sobre um cara que não agüentava a bagunça dos filhos em casa, e foi conversar com o padre da cidade. Aí o padre mandou ele botar uma galinha em casa, no meio da sala, e depois uma dúzia de galinhas, depois um bode e um porco e não sei o que mais. Aí, quando o cara tava à beira da loucura, o padre mandou-o se livrar dos bichos, e ele agradeceu eternamente ter apenas a bagunça dos filhos. Então, sabe essa piada? É a minha vida de semanas pra cá.
E eis que andava eu chateada, deprimida, sem vontade de cantar uma bela canção, querendo o divórcio e/ou suicídio social, imaginando porque diabos as coisas eram tão do jeito que eu não queria que fossem. Olhaí, tonta, o que te aguarda, não fosse esse marido que agüenta tuas loucuras sem reclamar, que faz tuas vontades, que te mima e te ama. Vai lá, estúpida, e pede o divórcio. Mas pede agora que tu não tens onde morar; aproveita e volta para a praia, essa mesma que reclamas tanto de estar longe. E tem mais, volta a morar com tua mãe, que é um doce e te entende e yadda yadda yadda. E prepare-se para ouvir, até o fim dos teus dias infelizes, frases como:
- Essa mulher que você foi visitar não trabalha não? (porque chegaste depois da meia noite numa quarta feira, e a tal “mulher” era, até dias antes, aquela menina simpática)
- Claro que você não entregou os filmes que eu pedi. Você não se lembra de nada que eu te peço. (depois de intermináveis e torturantes passeios no shopping, logo tu, que és claustrofóbica)
- Por isso esses cachorros estão deprimidos, essa ração que vocês dão para eles é uma merda. (raçãozinha “merda” que custa, por quilo, mais caro que filé de peito de frango)
- Porque você não joga essa bagunça logo toda fora? (“essa bagunça”, no caso, consiste em tua mesa de trabalho: anotações, papéis, provas, cd´s, calculadoras, amostras, impressora e computador)
- Você vai ter coragem de ir de chinelo? (sendo que: 1) o lugar onde tu vais é a locadora, justamente para devolver os filmes idiotas; 2) a locadora fica a três quadras da tua casa e 3) foda-se, tá um calor da porra)
- Vamos pregar aquele quadro ali que aqui não tá muito bom. (e tu odeias o quadro e está só esperando ela ir embora para icinerar o coisa-ruim)
- Vamos pregar aquele quadro ali que aqui não tá muito bom. (e tu tentas despistar e “amanhã pregamos, mãe”)
- Vamos pregar aquele quadro ali que aqui não tá muito bom. (e tu finges que não ouviu)
- Vamos pregar aquele quadro ali que aqui não tá muito bom. (e tu desistes... e pregas a bosta do quadro e fica amaldiçoando tua incapacidade de dizer não)
.....
Caso eu sobreviva, ainda tem mais: natal e ano novo com elas. Elas quem? Minha sogra está vindo, chega hoje. Vai ser um espetáculo.
Eu lembro que tinha uma piada, que acho que era na verdade uma fábula disfarçada de piada, sobre um cara que não agüentava a bagunça dos filhos em casa, e foi conversar com o padre da cidade. Aí o padre mandou ele botar uma galinha em casa, no meio da sala, e depois uma dúzia de galinhas, depois um bode e um porco e não sei o que mais. Aí, quando o cara tava à beira da loucura, o padre mandou-o se livrar dos bichos, e ele agradeceu eternamente ter apenas a bagunça dos filhos. Então, sabe essa piada? É a minha vida de semanas pra cá.
E eis que andava eu chateada, deprimida, sem vontade de cantar uma bela canção, querendo o divórcio e/ou suicídio social, imaginando porque diabos as coisas eram tão do jeito que eu não queria que fossem. Olhaí, tonta, o que te aguarda, não fosse esse marido que agüenta tuas loucuras sem reclamar, que faz tuas vontades, que te mima e te ama. Vai lá, estúpida, e pede o divórcio. Mas pede agora que tu não tens onde morar; aproveita e volta para a praia, essa mesma que reclamas tanto de estar longe. E tem mais, volta a morar com tua mãe, que é um doce e te entende e yadda yadda yadda. E prepare-se para ouvir, até o fim dos teus dias infelizes, frases como:
- Essa mulher que você foi visitar não trabalha não? (porque chegaste depois da meia noite numa quarta feira, e a tal “mulher” era, até dias antes, aquela menina simpática)
- Claro que você não entregou os filmes que eu pedi. Você não se lembra de nada que eu te peço. (depois de intermináveis e torturantes passeios no shopping, logo tu, que és claustrofóbica)
- Por isso esses cachorros estão deprimidos, essa ração que vocês dão para eles é uma merda. (raçãozinha “merda” que custa, por quilo, mais caro que filé de peito de frango)
- Porque você não joga essa bagunça logo toda fora? (“essa bagunça”, no caso, consiste em tua mesa de trabalho: anotações, papéis, provas, cd´s, calculadoras, amostras, impressora e computador)
- Você vai ter coragem de ir de chinelo? (sendo que: 1) o lugar onde tu vais é a locadora, justamente para devolver os filmes idiotas; 2) a locadora fica a três quadras da tua casa e 3) foda-se, tá um calor da porra)
- Vamos pregar aquele quadro ali que aqui não tá muito bom. (e tu odeias o quadro e está só esperando ela ir embora para icinerar o coisa-ruim)
- Vamos pregar aquele quadro ali que aqui não tá muito bom. (e tu tentas despistar e “amanhã pregamos, mãe”)
- Vamos pregar aquele quadro ali que aqui não tá muito bom. (e tu finges que não ouviu)
- Vamos pregar aquele quadro ali que aqui não tá muito bom. (e tu desistes... e pregas a bosta do quadro e fica amaldiçoando tua incapacidade de dizer não)
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Caso eu sobreviva, ainda tem mais: natal e ano novo com elas. Elas quem? Minha sogra está vindo, chega hoje. Vai ser um espetáculo.


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