I will return again
Sure as the dust that floats high
Então chegarão os alienígenas e comerão as árvores, as pedras, o mato e as flores, a terra e beberão a água dos lençóis freáticos, e criarão um grande buraco e então todos nós deslizaremos para dentro e quebraremos nossas pernas e pescoços e morreremos e então veremos a luz no fim do túnel porque é assim que deve ser e rumaremos em direção a ela, para chegarmos todos juntos lá e descobrirmos, toda a humanidade, que o centro do mundo é o céu e o céu é um grande Cheeto.
....
Ressaca do Camping Rock. Ainda acordei meio tonta ontem de manhã. Dormi umas vinte horas e ainda acordei tonta, provavelmente demorarei dias até meu raciocínio, que nem é tão rápido assim, voltar ao normal. Tudo bem, eu estava precisando. Conhecemos um monte de gente boa lá e demos muita, muita risada. A molecada manda muito bem nos covers e nas músicas próprias deles. O banheiro estava mais nojento que nunca, mas nem me importei, que o das meninas ainda era entrável - e eu não estive em condições de reclamar. Fizemos um ranguinho pela primeira vez, e ficou bom. O gelo durou três dias e isso foi legal também, sempre tinha uma cerveja gelada por perto. Eu pretendia desenhar um monte lá, mas claro que não deu, mas para isso levei meu bloquinho que pelo menos serviu para anotar as coisas, antes que eu esquecesse, e depois mandar pra cá. Uia.
* Descobri que Sílvia existe mesmo, não é animatrônica e nem uma criatura holográfica. Sílvia apertou minha mão e gritou (junto) comigo. Fiquei emocionada e jurei nunca mais lavar as mãos.
* Claro que a música mais tocada foi Perfect Strangers, acho que deve ser facinho de tocar, sei lá , nem gosto muito dessa música. Aliás, nem gosto muito de Deep Purple, mas sou só eu, aparentemente, então deixa pra lá. Agora, engraçado mesmo foi um cara tentando animar a meia dúzia de gato pingado que se chutava em frente ao palco, debaixo de muita chuva: - And if you hear me talking on the wind, you've got to understand, we must remain… uma pequena pausa e o cara dá uma de doido, gritando em português: O QUÊ?, ao que ele mesmo responde, terminando o refrão: perfect strangers... Rolei de rir. Foda.
* De noitão, chegou um cara na barraca de um menino que conhecemos lá e falou: - Você tem perfil? Cadê o perfil? Precisa salvar o perfiiiiiiiiiil! E pá!, caiu duro. Apagou. O menino, que já estava dividindo a barraca pequenininha com outro doido, ficou puto. Mas o cara não acordava, aí ele deixou pra lá e dormiu. No outro dia o cara ainda estava meio dentro e meio fora da barraca e tiveram que arrastá-lo de lá. Ficamos tirando muito sarro da cara dele, mas deus castiga. À noite, estava eu nanando placidamente quando um cara começou a gritar do lado de fora da minha barraca: - Abre aí, Lobinho, caraio... dechô entrá! Não vou dormir na grama de novo... E eu, caindo de sono: - Vai embora moço, deixa eu dormir... Mas o cara não desistia: - Ô Lobinho, caraio, tá frio aqui, tá chovendo, dechô entrá!!! E eu implorando pro cara ir embora, não tem Lobinho aqui, essa não é sua barraca, vai embora... Acho que ele nem me ouvia, porque calculou exatamente onde estava minha cabeça e começou a me dar uns croques tuc, tuc, tuc, e eu – Moço, por favor, vai embora, para de me bater! E ele tuc, tuc, tuc na minha cabeça. Aí eu estressei e comecei a gritar de verdade, e acho que ele se mancou que tava na barraca errada e batendo na pessoa errada. Foi embora, mas na mesma noite chega outro cara, já abrindo o zíper: - Ô irmão, dechô dá uma descansada aí! O Max acordou dessa vez, e puto da vida, xingou, cheio de sono: - Vai descansar na puta que o pariu! E o cara ainda foi embora resmungando. Depois deduzimos que ele era tipo um sem-barraca, viu a nossa ali improdutiva, cabendo bem mais que as duas pessoas que estavam lá e quis se apossar. Só pode ter sido isso.
* Incrivelmente, reencontramos um cara do ano passado. O cara declamou um poema para nós daquela vez, inconformado. Ele não acreditava que o poema existia. Pois esse ano o cara chegou na gente e declamou o mesmo poema. Igualzinho, inclusive a indignação do cara, que ainda não acredita que alguém foi capaz de elaborar tal rima:
- Conheci um homem no Olimpo. Ele tinha um foguete no lugar do pinto.
E o cara não parava de repetir isso. Tava atrapalhando nosso truquinho, então fingimos que ele não estava lá e ele se foi, repetindo o poema baixinho e balançando a cabeça, inconformadíssimo.
Teve mais coisa divertida. Teve a meninada que esticou uma lona gigantesca no gramado, encheu de água com sabão e se divertiu demais. Teve a menininha de dezesseis anos que cantou um dos melhores Enter Sandman que já ouvi. Teve a chuva e o vento e o frio. Teve o cara que perdeu a virgindade com a Sílvia. Teve nosso amigo que nos emprestou um dinheiro porque gastamos todo o nosso. Teve o batidão de Ouro Preto. Teve o roubo do nosso garfo. Teve a porta do chuveiro improvisado que abriu e todo mundo viu o Maqes pelado. Teve mais. Teve tudo o que me faz jurar aqui de pé junto que volto lá ano que vem, mesmo com uma perna quebrada e um pulmão perfurado.
Sure as the dust that floats high
Então chegarão os alienígenas e comerão as árvores, as pedras, o mato e as flores, a terra e beberão a água dos lençóis freáticos, e criarão um grande buraco e então todos nós deslizaremos para dentro e quebraremos nossas pernas e pescoços e morreremos e então veremos a luz no fim do túnel porque é assim que deve ser e rumaremos em direção a ela, para chegarmos todos juntos lá e descobrirmos, toda a humanidade, que o centro do mundo é o céu e o céu é um grande Cheeto.
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Ressaca do Camping Rock. Ainda acordei meio tonta ontem de manhã. Dormi umas vinte horas e ainda acordei tonta, provavelmente demorarei dias até meu raciocínio, que nem é tão rápido assim, voltar ao normal. Tudo bem, eu estava precisando. Conhecemos um monte de gente boa lá e demos muita, muita risada. A molecada manda muito bem nos covers e nas músicas próprias deles. O banheiro estava mais nojento que nunca, mas nem me importei, que o das meninas ainda era entrável - e eu não estive em condições de reclamar. Fizemos um ranguinho pela primeira vez, e ficou bom. O gelo durou três dias e isso foi legal também, sempre tinha uma cerveja gelada por perto. Eu pretendia desenhar um monte lá, mas claro que não deu, mas para isso levei meu bloquinho que pelo menos serviu para anotar as coisas, antes que eu esquecesse, e depois mandar pra cá. Uia.
* Descobri que Sílvia existe mesmo, não é animatrônica e nem uma criatura holográfica. Sílvia apertou minha mão e gritou (junto) comigo. Fiquei emocionada e jurei nunca mais lavar as mãos.
* Claro que a música mais tocada foi Perfect Strangers, acho que deve ser facinho de tocar, sei lá , nem gosto muito dessa música. Aliás, nem gosto muito de Deep Purple, mas sou só eu, aparentemente, então deixa pra lá. Agora, engraçado mesmo foi um cara tentando animar a meia dúzia de gato pingado que se chutava em frente ao palco, debaixo de muita chuva: - And if you hear me talking on the wind, you've got to understand, we must remain… uma pequena pausa e o cara dá uma de doido, gritando em português: O QUÊ?, ao que ele mesmo responde, terminando o refrão: perfect strangers... Rolei de rir. Foda.
* De noitão, chegou um cara na barraca de um menino que conhecemos lá e falou: - Você tem perfil? Cadê o perfil? Precisa salvar o perfiiiiiiiiiil! E pá!, caiu duro. Apagou. O menino, que já estava dividindo a barraca pequenininha com outro doido, ficou puto. Mas o cara não acordava, aí ele deixou pra lá e dormiu. No outro dia o cara ainda estava meio dentro e meio fora da barraca e tiveram que arrastá-lo de lá. Ficamos tirando muito sarro da cara dele, mas deus castiga. À noite, estava eu nanando placidamente quando um cara começou a gritar do lado de fora da minha barraca: - Abre aí, Lobinho, caraio... dechô entrá! Não vou dormir na grama de novo... E eu, caindo de sono: - Vai embora moço, deixa eu dormir... Mas o cara não desistia: - Ô Lobinho, caraio, tá frio aqui, tá chovendo, dechô entrá!!! E eu implorando pro cara ir embora, não tem Lobinho aqui, essa não é sua barraca, vai embora... Acho que ele nem me ouvia, porque calculou exatamente onde estava minha cabeça e começou a me dar uns croques tuc, tuc, tuc, e eu – Moço, por favor, vai embora, para de me bater! E ele tuc, tuc, tuc na minha cabeça. Aí eu estressei e comecei a gritar de verdade, e acho que ele se mancou que tava na barraca errada e batendo na pessoa errada. Foi embora, mas na mesma noite chega outro cara, já abrindo o zíper: - Ô irmão, dechô dá uma descansada aí! O Max acordou dessa vez, e puto da vida, xingou, cheio de sono: - Vai descansar na puta que o pariu! E o cara ainda foi embora resmungando. Depois deduzimos que ele era tipo um sem-barraca, viu a nossa ali improdutiva, cabendo bem mais que as duas pessoas que estavam lá e quis se apossar. Só pode ter sido isso.
* Incrivelmente, reencontramos um cara do ano passado. O cara declamou um poema para nós daquela vez, inconformado. Ele não acreditava que o poema existia. Pois esse ano o cara chegou na gente e declamou o mesmo poema. Igualzinho, inclusive a indignação do cara, que ainda não acredita que alguém foi capaz de elaborar tal rima:
- Conheci um homem no Olimpo. Ele tinha um foguete no lugar do pinto.
E o cara não parava de repetir isso. Tava atrapalhando nosso truquinho, então fingimos que ele não estava lá e ele se foi, repetindo o poema baixinho e balançando a cabeça, inconformadíssimo.
Teve mais coisa divertida. Teve a meninada que esticou uma lona gigantesca no gramado, encheu de água com sabão e se divertiu demais. Teve a menininha de dezesseis anos que cantou um dos melhores Enter Sandman que já ouvi. Teve a chuva e o vento e o frio. Teve o cara que perdeu a virgindade com a Sílvia. Teve nosso amigo que nos emprestou um dinheiro porque gastamos todo o nosso. Teve o batidão de Ouro Preto. Teve o roubo do nosso garfo. Teve a porta do chuveiro improvisado que abriu e todo mundo viu o Maqes pelado. Teve mais. Teve tudo o que me faz jurar aqui de pé junto que volto lá ano que vem, mesmo com uma perna quebrada e um pulmão perfurado.


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