3.22.2007

Surviving the game... no escape
No one's ever escaped




Ontem eu estava no centro da cidade esperando um ônibus. O ponto lotado, aquele ponto sempre está lotado. Fiquei observando as pessoas em volta, já que eu não tinha pressa. Várias moças e crianças tomando sorvete. Alguns outros falando no celular, uma senhora comendo pipoca doce, a despeito do calor. Dois estudantes carregavam mochilas que deveriam ter aproximadamente o dobro do peso dos dois, juntos. Muita cara cansada, entediada, brava, triste. Aí noto ali no meio um jovem negro, muito magrinho, roupas puídas. E um sorrisão na cara. Dei a volta para conseguir ler o que estava escrito em sua camiseta. “Quer fazer alguém feliz? Pergunte-me como.” Não resisti e me aproximei dele:

- Como?
- Como o quê?
- Eu quero saber como, ué.
- O que você quer saber? Como o quê?
- Como fazer alguém feliz.
- E eu vou saber?
- Mas tá escrito na sua camiseta.
- Tá, é? Eu nem sei ler.
- Tá escrito assim: “Quer fazer alguém feliz? Pergunte-me como.”
- Olha só que coisa. Eu nem sei ler e tô dando conselhos pras pessoas.
- Não precisa saber ler pra dar conselho.
- Será? Sei nada da vida.
- E porque você tá sorrindo?
- Minha mulher tá grávida. Pela terceira vez.
- Meus parabéns.
- Nada. Eu tô rindo porque eu já tinha avisado pra ela que se ela não se cuidasse e pegasse barriga de novo eu ia embora. Agora tô livre daquela vaca.
- Credo, isso é jeito de falar? A culpa não é só dela, meu amigo. Você tava lá também.
- Tava não. Fiquei seis meses na casa de mamãe e voltei semana passada. E ela já tá com um barrigão assim, ó.
- Ih, caraio.
- Pois é. Meu ônibus. Olha, você não precisa fazer ninguém feliz não, viu? Fica feliz você mesma que você ganha mais. Ti-au.


....

Que coisa, digo eu.