3.30.2007

All that I want is to play, hey
Get on your knees, time to pray, boy



O problema não são as escolhas erradas. O problema é que, mesmo você fazendo a escolha certa, o destino só existe para te foder. Então ele vai lá e muda toda a história, distorce o jogo e inventa regras novas. E te fode. O destino é uma puta. Igual àquela que o Álvaro sempre descreve: gorda, desdentada, má e com o mesmo vestido frente única, branco de bolas assimétricas roxas, descosturado aqui na barra. Uma puta rampeira.

3.29.2007

Despite all my rage I´m still just a rat in a cage



Fui tomar banho e quase esmaguei a Tatiana, minha lagartixa de estimação, que vive no meu box. Fiquei muito abalada, meu coração disparou, as pernas amoleceram e, quando dei por mim, chorava descontroladamente no chão do banheiro, implorando perdão à Tatiana. Chorei de soluçar. A Tatiana me olhando com uma cara esquisita. Não consegui entender se ela ficou com raiva ou pena de mim. Por via das dúvidas, coloquei-a na janela, para que ela escolha seu próprio destino. Se vai querer continuar naquele banheiro úmido demais, mas cheio de mosquitinhos apetitosos, pelo resto de sua vida, ou se vai explorar os perigos e viver aventuras nos Jardins Suspensos do Lado da Garagem da Minha Casa. Pronto, Tatiana, agora é com você. Não é mais problema meu.

But that's what you do to earn your daily wage
That's the kind of world that we're living in today





- Empresta o carro?
- Empresto. Pra quê?
- Buscar umas doações pra ONG.
- Leva. Mas não tem seguro e o documento tá vencido.
- Afe, então deixa.
- Vai lá, deixa de ser bundão. É doação do quê?
- Uma cama e uma cômoda. Mas é longe.
- Longe onde?
- Vitória.
- No Espírito Santo?
- É.
- E você quer ir até lá pra buscar uma cama e uma cômoda?
- É.
- São quinhentos quilômetros pra ir, quinhentos pra voltar. Não sai mais barato comprar aqui mesmo?
- Esse celular seu tira foto?
- Agora estamos falando do celular?
- A gente tava falando do que antes?
- Da cama e da cômoda.
- Ah, é.
- Compra aqui mesmo: vai dar uma grana de gasolina, fora o tempo que você vai gastar na estrada, vai perder um dia inteiro.
- Onde aperta pra tirar foto?
- Abre aqui e... a cama e a cômoda, meu bem. Se concentra.
- Ah, é. Então, empresta o carro?

3.28.2007

Aí meus amigos atores fofos foram embora, Maqes está em São Paulo e eu fiquei deprimida e desmarquei o dentista. Vou matar a aula de litografia que polir pedra é muito chato. Depois vou ali não fazer nada o dia inteiro e depois vou desenhar um olho, duas bocas e um nariz bem feioso e depois vou comer arroz e feijão e batata frita e depois vou ver Nip/Tuck, que a nova temporada já começou e eu aqui perdendo espisódios cruciais. Eu aqui, perdendo. Eu aqui, só olhando.

....


Ê dia chatinho. Nem letra-título tem.

3.23.2007

I was looking for somebody… guess what!
You got the body I want





- Mas e se eu fizer a cirurgia da hipermetropia e morrer amanhã, ainda posso doar as córneas?
- Fala sério, amiga.
- É sério. Quando eu morrer, pode pegar tudo. Olho, pele, cabelo, dente, unha. Meus rins ainda devem servir. Pode pegar até o cu se quiser.
- Ninguém vai querer um cu.
- Ah, sei lá. Vai que a bicha tá com um cu tamanho GG. O meu ainda é M. Deve servir.


....


Estranhamente, um menino que escutava a conversa se aproximou e perguntou, baixinho, se existe mesmo transplante de cu.

3.22.2007

Surviving the game... no escape
No one's ever escaped




Ontem eu estava no centro da cidade esperando um ônibus. O ponto lotado, aquele ponto sempre está lotado. Fiquei observando as pessoas em volta, já que eu não tinha pressa. Várias moças e crianças tomando sorvete. Alguns outros falando no celular, uma senhora comendo pipoca doce, a despeito do calor. Dois estudantes carregavam mochilas que deveriam ter aproximadamente o dobro do peso dos dois, juntos. Muita cara cansada, entediada, brava, triste. Aí noto ali no meio um jovem negro, muito magrinho, roupas puídas. E um sorrisão na cara. Dei a volta para conseguir ler o que estava escrito em sua camiseta. “Quer fazer alguém feliz? Pergunte-me como.” Não resisti e me aproximei dele:

- Como?
- Como o quê?
- Eu quero saber como, ué.
- O que você quer saber? Como o quê?
- Como fazer alguém feliz.
- E eu vou saber?
- Mas tá escrito na sua camiseta.
- Tá, é? Eu nem sei ler.
- Tá escrito assim: “Quer fazer alguém feliz? Pergunte-me como.”
- Olha só que coisa. Eu nem sei ler e tô dando conselhos pras pessoas.
- Não precisa saber ler pra dar conselho.
- Será? Sei nada da vida.
- E porque você tá sorrindo?
- Minha mulher tá grávida. Pela terceira vez.
- Meus parabéns.
- Nada. Eu tô rindo porque eu já tinha avisado pra ela que se ela não se cuidasse e pegasse barriga de novo eu ia embora. Agora tô livre daquela vaca.
- Credo, isso é jeito de falar? A culpa não é só dela, meu amigo. Você tava lá também.
- Tava não. Fiquei seis meses na casa de mamãe e voltei semana passada. E ela já tá com um barrigão assim, ó.
- Ih, caraio.
- Pois é. Meu ônibus. Olha, você não precisa fazer ninguém feliz não, viu? Fica feliz você mesma que você ganha mais. Ti-au.


....

Que coisa, digo eu.

3.21.2007

There's a killer on the road


Era uma vez eu. Quando eu era pequenininha, via minha mãe datilografando e sonhava que um dia eu ia datilografar tanto, mas tanto, que ia ficar com calos nas pontas dos dedos. Minha mãe não me deixava datilografar; sempre fui desastrada e as pessoas sempre tiveram medo de me deixar mexer com objetos delicados. Então resolvi escrever umas historinhas nas agendas velhas do ano passado que meu pai me dava de presente. Aí eu cresci e parei de escrever nos diários de agenda velha do ano passado, já que nunca termino nada que eu começo e comecei a escrever no Word porque eu já trabalhava o dia todo num computador mesmo, aí pensei, eba! assim não dá trabalho... e tudo ia muito bem até o dia em que aquele filho de um pai sem rola me pediu pra escrever o jornalzinho deles, e eu fiquei tão feliz, mas tão feliz que até fiz pesquisas de notícias inéditas e tudo mais, e tudo era bonito e colorido e ia muito bem, aí o filho de um pai sem rola me chama de canto e diz que o jornalzinho estava perdendo o propósito, que estava desvirtuando e eu chorei a minha própria incompetência, e aí eu resolvi que nunca mais escrevo de graça. Agora só pagando. Menos aqui, lógico, que ninguém lê mesmo. Fim.

3.20.2007

All right, doll-face.
Come on and bore me.




- Nossos e-mails não estão funcionando.
- Os pagamentos estão em dia?
- Sim, tudo ok. O site também tá fora.
- Me dá um minutinho.
- Ok.

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- O pagamento da Fapesp não foi realizado.
- Foi sim.
- Não foi não.
- Foi sim.
- O domínio tá congelado, meu bem.
- Mas a gente pagou, eu juro!
- Se tivessem pago o domínio não tava congelado.
- Deixa eu ver aqui, pera.
- Tá.


....


- Olha, tá pago sim, tô com o comprovante aqui na minha frente.
- Então me passa que eu mando um e-mail pra lá.
- Como eu vou te passar um papel por e-mail?
- Escaneando.
- A gente não tem scanner.
- Tá, eu vou aí buscar.


....


- Meu bem, esse pagamento é do ano passado. Olha aqui: vencimento em quinze de fevereiro de dois mil e seis.
- Eu sei.
- Você deve ter recebido um boleto de dois mil e sete.
- Recebi.
- E cadê o pagamento desse ano?
- Aaaaaaaaaaaahhh, tem que pagar TODO ANO?


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Valei-me, Nossa Senhora Desatadora dos Nós. Estou cercada deles.

3.16.2007

Dust my lemon lies with powder pink and sweet



Ok, vamos lá. Vou esvaziar meu estoque de posts semi-acabados antes que eu os perca ou desista deles de vez. Devo alertar que as próximas linhas não fazem o menor sentido. Não há contexto e a história, na maioria das vezes, é muito maior. Mas é isso ou nada, portanto, dêem-se por muito contentes.


Das nossas férias birutas:

Mochilão bom por Salvador, mas mochilão chique, que Maqes tinha umas milhas lá e trocou numas passagens pra nós. Um calor, deusdocéu, nosso quarto na pousada era no terceiro andar, degraus enormes e o calor, credo, o calor. Aí ficamos por ali, tranqüilos, ali pela Barra. O mar é cheio de pedras mas fomos lá mesmo assim, que o calor esquentava a cerveja e os acarajés fermentavam em nossos estômagos muito rápido, então a gente ia ali no mar e esfriava a cabeça e o espírito e voltava para beber mais e continuar ali, falando bobeira, ficando de bobeira. Coisa boa. Depois fomos ali para Morro de São Paulo que nossa amiguinha tem uma pousada lá, e comemos lagosta e tomamos capeta e ficamos ali de bobeira mais uns dias, tomando sol, pulando da tirolesa absolutamente gigantesca e esquecendo das coisas; e falando inglês porque definitivamente os baianos atendem melhor os gringos e o Maqes já tem cara de gringo mesmo, e rindo quando íamos pagar a conta com o cartão do Banco do Brasil. Depois fomos ali para a Praia do Forte ver as tartarugas gigantes aprisionadas impiedosamente em piscininhas ridículas e pagar milhares de dólares nas camisetas do TAMAR. Tem mais, mas já esqueci. Só vendo as fotos agora.


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Dos meus amigos birutas:

- Aí minha irmã foi marcar o ultrassom do Felipe pelo SUS. A moça disse que não poderia precisar uma data, que ligaria de volta confirmando. Minha irmã achou que aquilo não ia dar certo e resolveu fazer particular mesmo, e todos os outros exames pré-natal que a médica pediu também. Acabou esquecendo desse do SUS. Um dia liga a mulher do SUS: - Dona Fulana, seu ultrassom foi agendado para a próxima quinta-feira. E a minha irmã: Valeu, brigada, mas meu filho já tem quase um ano. E é saudável, só pra você saber.

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- Tô tendo uma overdose.
- Você deu dois pegas num fininho, não tá tendo overdose não.
- Tô sim, e vou morrer na sua casa e vou assombrar vocês por toda a eternidade.
(outro amigo se aproxima, vê a cena e se aproveita da teoria da overdose)
- Tu tá vendo a luz, fofa? Segue a luuuuuuuuuzzzzzzz....

Mais tarde, fiquei curiosa:
- Que história foi essa de luz, meu bem?
- Vai que ela morre mesmo e fica te assombrando mesmo? Quis garantir o crossover.

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Dos meus alunos birutas:

- O que você fez nas férias?
- Lavei vasilha, tia.
- Ué, não passeou, não brincou?
- Lavar vasilha é legal, tia. Tem até campeonato lá em casa.


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Do Maqes biruta:

Eu e Max assistindo o jornal, que não parava de falar nunca mais sobre o maldito buracão do metrô – que aliás, eu quero que se foda, não moro mais em São Paulo e tenho meus próprios buracos por aqui:

Repórter: As pessoas não tiveram tempo de tirar seus pertences das residências interditadas, que corriam risco de desabar. Dona Ofélia, amparada pela filha, bla bla bla...

Max, indignado: Uma velha? UMA VELHA? O repórter acabou de dizer que UMA VELHA foi amparada pela filha?

Eu: Dona Ofélia, Maqes.

Max: Ah, tá. Pensei que eles tinham começado a perder o respeito.


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Das minhas intenções birutas:


Meu professor de história da arte, que tem doutorado em não-sei-o-que-lá, escreve cruxificação, fala losângulo e não tem a menor idéia do que seja uma fieira para diadema. Você aí não precisa saber o que é uma fieira para diadema, mas ele tem a obrigação de saber o que é. E ainda vem me falar que, talvez, um grande empecilho para a minha bolsa de iniciação científica ser aprovada seja a má redação. Ah, vá se foder, seu merda.


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Já mencionei que tenho outro vira-lata agora, e que o nome dele é Biruta?