Have I run too far to get home?Móveis no lugar, quadros nas paredes, livros nas estantes. Finalmente. Eletrodomésticos novos que realmente funcionam e uma aliança esquisita no meu dedo, cara, como incomoda isso aqui. Dá vontade de tirar a toda hora, mas não. Não é assim que deve ser. Deve-se usar o anelzinho, deve haver comprometimento. Eu deverei ainda, um dia desses, mudar todos os meus documentos, já que meu nome mudou. Essa ainda é a parte mais esquisita... e meu pai não ficou muito feliz, já que o nome suprimido foi o dele. O meu ficou mais bonito, sabe? Mas é muito estranho, depois de quase 30 anos assinando dum jeito, de repente tenho que lembrar que agora meu sobrenome é outro. Que eu sou uma nova pessoa, parte de outra. Que somos um só e precisamos cuidar um do outro, que somos uma nova família pequenina, de duas pessoas. Somos uma entidade, Sr. e Sra. Somos um casal que é sempre convidado para as festinhas e almoços e jantares como se fôssemos apenas um.
Vocês vão, né? Vocês. Não existe mais
vá e se quiser leve sua namorada. Agora as coisas são diferentes e tão mais legais. Somos forasteiros aqui e tudo é novidade. Temos conhecido pessoas novas, que poderão vir a ser novos amigos. Nos perdemos pelas ruas, entramos em bares que nunca vimos, nos atrapalhamos na hora das compras porque os nomes das comidas são outros. Os pets chegaram, e também estão se adaptando. O cachorro lá fora e a gata aqui dentro... tememos uma aproximação. O cachorro é muito grande e a gata muito brava. Têm acontecido coisas divertidas, assustadoras. O bairro aqui é um barato: parece cidade do interior. Estamos a dez minutos do centro, mas aqui é interior. As ruas ficam desertas após as nove da noite e tem uns comercinhos engraçados. As mulheres ficam jogando conversa fora nas calçadas sob o sol da tardinha. Crianças empinam pipas e brincam pelas ruas. A locadora local não tem mais que trinta filmes, e o barbeiro onde o Max corta o cabelo deve ter uns cento e cinqüenta anos. As frutas são bem baratinhas ali na quitanda. É legal. Tranqüilo. Fácil. Um fôlego novo naquela minha ex-vida, chata e enroscada demais. Agora tá bom. Vamos curtir.
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Nesse exato momento, tem um amigo me dizendo no MSN que eu deveria sair mais de casa... que fico o dia todo trancada. Sair pra quê, meu anjo? Tenho tudo o que preciso aqui: sol no quintal, fazendo brilhar a folhagem, o cachorro doidão todo feliz quando eu saio, não importa quantas vezes isso aconteça, a gata enroscada nos meus pés quando estou no computador, banana-maçã e Ninho Soleil de café da manhã, dar um jeitinho aqui e ali, lavar um edredon, Seinfeld três vezes por dia, picar uns legumes pra janta, tomar um banho beeeeem longo e ir buscar o Max, voltar e me enroscar nele... sair pra quê? Finalmente, tenho tudo o que preciso.