4.25.2005

Some are born; some men die
Beneath one infinite sky






Tem um monte de coisa que eu queria entender e não consigo, por mais força que eu faça nessa minha cabecinha avoada. Não sei se eu é que sou muito burra ou se a coisa toda é que é muito complicada. Não sei. Não sei e não entendo. Por exemplo, a morte. Sei lá, não me dou bem com ela. Perdi pessoas muito queridas antes do prazo, e isso faz com que eu entenda cada vez menos a ordem das coisas. A tal da ordem natural das coisas. Não era para o meu irmão ter morrido antes da minha mãe. Não foi assim que me explicaram, não foi assim que vi na televisão. Não era para o meu padastro ter tido câncer. Isso aí é para gente má, gente que explora, abusa, maltrata. O cara era muito gente boa. Tá errado isso. E não era também para minha amiga querida, de infância, de cachos lindos e sorriso perfeito, ter dado um tiro na cabeça. Tá errado também. Agora eu fico aqui, minha querida, com esse nó que não se desfaz e tentando entender o porque de você ter feito isso. E não entendo, e o nó aumenta e as lágrimas correm o tempo todo, e dói, dói, dói. Que triste isso. Que coisa triste.



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Só me anima saber que você deve estar aí em algum lugar brincando de escorregar na lajota ensaboada com o meu irmão. E, se estou certa, minha avó dizendo para vocês pararem antes que se machuquem. Cara, que saudade disso.