4.25.2005

Some are born; some men die
Beneath one infinite sky






Tem um monte de coisa que eu queria entender e não consigo, por mais força que eu faça nessa minha cabecinha avoada. Não sei se eu é que sou muito burra ou se a coisa toda é que é muito complicada. Não sei. Não sei e não entendo. Por exemplo, a morte. Sei lá, não me dou bem com ela. Perdi pessoas muito queridas antes do prazo, e isso faz com que eu entenda cada vez menos a ordem das coisas. A tal da ordem natural das coisas. Não era para o meu irmão ter morrido antes da minha mãe. Não foi assim que me explicaram, não foi assim que vi na televisão. Não era para o meu padastro ter tido câncer. Isso aí é para gente má, gente que explora, abusa, maltrata. O cara era muito gente boa. Tá errado isso. E não era também para minha amiga querida, de infância, de cachos lindos e sorriso perfeito, ter dado um tiro na cabeça. Tá errado também. Agora eu fico aqui, minha querida, com esse nó que não se desfaz e tentando entender o porque de você ter feito isso. E não entendo, e o nó aumenta e as lágrimas correm o tempo todo, e dói, dói, dói. Que triste isso. Que coisa triste.



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Só me anima saber que você deve estar aí em algum lugar brincando de escorregar na lajota ensaboada com o meu irmão. E, se estou certa, minha avó dizendo para vocês pararem antes que se machuquem. Cara, que saudade disso.

4.14.2005

Paint it black




Gente, me desculpa. Não entendi. Que história é essa de um jogador ser preso por ter chamado outro de negro? O nome do cara é Grafite, pelamordedeus. Do que ele queria ser chamado? De Snow Flakes? Francamente. É a mesma coisa que chamar um negão de Insulfilm. Óbvio. Piada esta, aliás, que me fez cair da cadeira quando a ouvi pela primeira vez. E pela segunda, e pela terceira... mas isso não vem ao caso.



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Adendo I: Eu gosto de negões porque meu pai é negão e eu o chamo de Insulfilm. Não gostou, pega eu.

Adendo II: Esse Yahoo Notícias devia ser processado por botar lá tanta banalidade por pixel quadrado.

Adendo III: Eu chamo todo mundo de “jogador” porque a única coisa que sei falar de futebol é “gol do peixe”. O que quer que isso queira dizer.

4.01.2005

Paranoid



A verdade sobre parar de fumar:



- após 20 minutos: sua pressão sangüínea e a pulsação voltam ao normal.

Mentira. Fumei uns cigarrinhos dia desses enquanto ia do metrô pro Sesc. Só dois no caminho. Cheguei lá pra uma avaliação física que demorou pra caralho, era um tal de preenche-ficha-retira-senha-aguarda-senta-espera, que se passaram muito mais de 20 minutos. Minha pressão continuava alta. Minha pulsação também. Tudo mentira isso.


- após 2 horas: não tem mais nicotina no seu sangue.

Mentira. Tem sim porque eu sinto ela aqui. Olha aqui, ó.


- após 8 horas: o nível de oxigênio no sangue se normaliza.

Mentira. Os caras só falam isso porque você jamais terá como saber se o seu nível de oxigênio se normalizou ou não. E, afinal de contas, quem diabos determina a normalidade? Eu, por exemplo, me considero uma pessoa super normal. Minha mãe discorda. O porteiro do prédio também. A menina da cafeteria também. Enfim.


- após 2 dias: seu olfato já percebe melhor os cheiros e seu paladar já degusta a comida melhor.

Mentira. O rango do quilinho onde almoçamos continua ruim. E o feijão da Lili continua sem cheiro algum. Onde já se viu feijão sem cheiro? Eu, hein?


- após 3 semanas: a respiração fica mais fácil e a circulação melhora.

Mentira. Continuo ofengante ao subir escadas. Continuo parando no meio da piscina porque o fôlego acaba. E continuo não circulando bem em lugares escuros e/ou sem janelas, mas desconfio que isso é porque não enxergo direito e/ou sou claustrofóbica.


- após 5 A 10 anos: o risco de sofrer infarto será igual ao de quem nunca fumou.

Mentira. Não sei porque, mas quem inventou essa listinha aí não ia deixar para falar uma verdade no final. Se mentiu até agora, continuaria mentindo, certo? Certo. Então é mentira.