10.13.2004

Hey, I can't find nothing on the radio
Yo! turn to that station





Aí estouraram o vidro do meu carro, DE NOVO, e roubaram o rádio, DE NOVO. Esse povo acha que eu tenho um pé de notas de vinte reais na minha floreira na varanda. Não, o carro não tem alarme, porque eu sou pobre e não pude gastar cem paus num alarme. Não, meu prédio não tem garagem e o carro fica na rua. E não, não vou comprar um rádio novo. Dinheiro eu não tenho, mas tive uma idéia brilhante. Sou cheia das idéias brilhantes. Fui ali no camelô no Largo da Batata e comprei um radinho de pilha que custou sete reais. Pronto. Fui feliz da vida para o carro, pensando como eu sou esperta!, e liguei o radinho.

A porra do rádio tem um pacto com o coisa ruim. Só pode, porque não dá para sintonizar nenhum gênero musical além de pagodes, axés e essas coisas aí que eu nem sei diferenciar porque, do fundo do meu coração, não me interessam. Voltei lá no camelô.

- Tio, esse radinho não funciona.

- Funciona sim.

- Olha só – eu ligo o radinho e, mais alto que os ônibus na avenida, um corno conformado chora a perda da amada.

- Então, funciona.

- Mas só pega essa rádio.

- Por sete reau, você queria o quê?

Ponto pro tiozinho.

Mais tarde descobri que outras rádios até aparecem vez ou outra, mas se você fizer qualquer movimento brusco elas desaparecem, e imediatamente outro corno começa a bater latinhas, beber água mineral, mandar um beijinho para uma égua e coisas desse tipo. Que merda. Agora o mais perto que eu chego do bom e velho rock´n roll é a Antena 1, com suas músicas de elevador, e mesmo assim só quando o carro está parado. Engatou a primeira, a rádio some. Só comigo.



....


E o pior de tudo mesmo foram os CD´s que, como estavam no porta-luvas, obviamente foram levados também. Pior porque tenho certeza que a criatura que os levou só ouve o tipo de música que toca no meu radinho novo, e provavelmente vai jogar fora muita música boa. Puta desperdício.