10.29.2004

Inbetween days



Nunca trabalhei tanto em toda a minha vida como nessas últimas semanas. O que é bom, pois consegui pagar o aluguel e o telefone e vez ou outra até almoço. Mas tô cansada, nervosa, com sono. Isso é mau, acabo sempre descontando em alguém próximo. Max foi esperto, viu a parada ficando feia e inventou um tal dum curso no Rio de Janeiro e se mandou. Uma semana inteira bolinando mulatas cariocas... ê vidão, hein, Maqes?

Aí sobrou para quem estava perto, e o mais perto de todos foi o Adriano. Tchau, Dri. Vou sentir sua falta. Quem sabe quando você aprender a ver as horas no relógio de ponteiro que nem a tia do jardim da infância ensinou e chegar no horário que EU MANDAR e entregar seus trabalhos no prazo que EU ESTIPULAR e desfazer a cara feia e engolir esse choro de menina mimada quando receber uma bronca, eu te deixo voltar. Bem, talvez. É muito cedo ainda.

De forma que (eu adoro falar de forma que) só me resta falar com meu blog. Mas vamos à short version das coisas que tenho mais doze mil coisas para fazer antes das cinco da tarde:

1) Sobre Lili:

- Lili e Adriano estão namorandinho. Uau. Mais um feliz casal totalmente satisfeito com minha prestação de serviços cupidísticos;

- Adriano é um poço de delicadeza. Já o ouvimos dizer à Lili que ela tem mão de pedreiro, é dentuça, tem pé cascudo. Tudo devidamente acompanhado de um “mas eu gosto de você mesmo assim”, claro - não podia ser pior;

- Lili ficou traumatizada com o lance do pé cascudo e comprou dez mil reais em cremes para descascudizar os pés;

- Lili foi reprovada no exame médico do Sesc porque tem o pé cascudo mesmo;

- Adriano, o sem noção, ainda manda: Não falei?


2) Sobre o trampo:

- As coisas andam bem melhores, sabe? Ainda bem que eu adoro o que faço, porque trabalhar quatorze horas por dia, sete dias por semana, não é fácil não.

- Se eu pego o imbecil que disse que o trabalho enobrece o homem... faço nada, o cara já morreu. Mas que eu enchia de porrada se pudesse, ah, enchia;

- Meu estagiário me disse que eu sou a única paulistana que gosta de Lulu Santos. E que o Lulu Santos é gay. E que o Marcelo Augusto (quem quer que seja esse cara) também é gay. E que o menino das Casas Bahia também é gay. Começo a imaginar porque meu estagiário decidiu que era gay também. Penso que ele ficou com medo de ser o único hetero na face da terra;

- Eu tenho um cliente que acha que peça alusiva à campanha é um daqueles baldes cheios de gelo de mentira que acendem uma luzinha da Heineken;

- Tem algum webdesigner disposto a trabalhar de graça por aí? Eu pago o almoço.


3) Sobre mim:

- Continuo muitíssimo a fim de chutar essa merda toda e me mandar pruma praia qualquer e vender água de coco.


Fui.

10.27.2004

Mother's gonna put all her fears into you






Você liga para sua mãe, assim, no meio de um dia mega atribulado, só pra saber como ela está. Você está, na verdade, tão cheio de problemas e coisas para resolver que precisa ouvir por alguns momentos uma voz conhecida, confortável, só para ter certeza que o caos ainda não se instaurou completamente na sua vida. Seria mais fácil falar com seu namorado, mas ele está no Rio, a trabalho. Você sabe que não deve ligar para sua mãe no meio do dia porque ela fala demais e vai te atrapalhar. Mas você, num ato desvairado, liga. Ela fica muito feliz com sua ligação e, para retribuir a gentileza, começa a desfiar calmamente todos os acontecimentos da semana, em tempo real. Mais do que atrasado, você resolve inventar um pretexto qualquer para desligar o telefone:

- Mãe, tão batendo na porta aqui, daqui a pouco eu te ligo.

- Tá, vai lá.

- Um beijo, tchau.

Claro que você não vai ligar daqui a pouco. Para as pessoas normais, essa é só uma forma de dizer estou ocupado, dia desses a gente se fala de novo. Mas mães não entendem isso. Mães acham que você fez uma promessa, e elas irão cobrá-la. Ou pior ainda:

- Alô.

- Ai, graçasadeus você tá bem.

- Claro que eu tô bem, mãe. A gente não acabou de conversar?

- Acabou, mas você disse que ia me ligar em seguida...

- Não deu, mãe...

- Quem era?

- Onde?

- Na porta.

- Ah, um boy com uns documentos.

- Então, essa história de alguém na porta me assustou. Você não ligou mais, e eu achei que era um seqüestrador.

- Quem vai me seqüestrar, mãe? Eu sou uma duranga.

- Podia ser um traficante de órgãos.

- Aqui só presta a córnea.

- Mas ele não sabe disso.

- Mãe, tô ocupada, me liga de noite em casa...

- Ele tá aí?

- Ele quem?

- O seqüestrador! Ele tá aí do seu lado? Por isso você tá com pressa de desligar? Fala a-hãn se ele tiver aí que eu mando a polícia!

- Não tem ninguém aqui, mãe. Só tô cheia de trabalho.

- Isso foi um sinal? Você tá tentando me passar uma mensagem?

- Oh, boy.

- É o boy? O boy é o seqüestrador?


....




E por aí foi. Agora ando até com medo de receber boys aqui. E se eles quiserem minhas córneas?

10.14.2004

There's a light that never goes out




Hoje é (seria?) aniversário do meu irmão. Meu único irmão que nos deixou, cinco anos atrás. Ainda dói muito falar disso, sabe? Melhor nem falar nada, então.



....



É mentira. A gente nunca se acostuma com a perda.

10.13.2004

Hey, I can't find nothing on the radio
Yo! turn to that station





Aí estouraram o vidro do meu carro, DE NOVO, e roubaram o rádio, DE NOVO. Esse povo acha que eu tenho um pé de notas de vinte reais na minha floreira na varanda. Não, o carro não tem alarme, porque eu sou pobre e não pude gastar cem paus num alarme. Não, meu prédio não tem garagem e o carro fica na rua. E não, não vou comprar um rádio novo. Dinheiro eu não tenho, mas tive uma idéia brilhante. Sou cheia das idéias brilhantes. Fui ali no camelô no Largo da Batata e comprei um radinho de pilha que custou sete reais. Pronto. Fui feliz da vida para o carro, pensando como eu sou esperta!, e liguei o radinho.

A porra do rádio tem um pacto com o coisa ruim. Só pode, porque não dá para sintonizar nenhum gênero musical além de pagodes, axés e essas coisas aí que eu nem sei diferenciar porque, do fundo do meu coração, não me interessam. Voltei lá no camelô.

- Tio, esse radinho não funciona.

- Funciona sim.

- Olha só – eu ligo o radinho e, mais alto que os ônibus na avenida, um corno conformado chora a perda da amada.

- Então, funciona.

- Mas só pega essa rádio.

- Por sete reau, você queria o quê?

Ponto pro tiozinho.

Mais tarde descobri que outras rádios até aparecem vez ou outra, mas se você fizer qualquer movimento brusco elas desaparecem, e imediatamente outro corno começa a bater latinhas, beber água mineral, mandar um beijinho para uma égua e coisas desse tipo. Que merda. Agora o mais perto que eu chego do bom e velho rock´n roll é a Antena 1, com suas músicas de elevador, e mesmo assim só quando o carro está parado. Engatou a primeira, a rádio some. Só comigo.



....


E o pior de tudo mesmo foram os CD´s que, como estavam no porta-luvas, obviamente foram levados também. Pior porque tenho certeza que a criatura que os levou só ouve o tipo de música que toca no meu radinho novo, e provavelmente vai jogar fora muita música boa. Puta desperdício.

I'm a loser baby, so why don't you kill me?




Ok, então o blog está abandonado por falta de tempo para escrever, e não por falta de acontecimentos interessantes.



....



Tenham medo. Tenham muito medo.