8.18.2004

When routine bites hard and ambitions are low





Álvaro e Carol se separaram.

Devo confessar que torci muito para isso, embora seja euzinha a responsável pelo namoro, e seja euzinha a madrinha do filho tão fofo que dá vontade de morder deles, e seja euzinha uma romântica que acredita em finais felizes. Só que do jeito que estava, não ia dar pra continuar por muito mais tempo; era visível o descontentamento dos dois. Carol quer algo que Álvaro jamais poderá dar: um relacionamento hollywoodiano, com jantares à luz de velas dia sim dia não, afagos constantes e morangos com chantilly para incrementar o sexo (isso é mentira, ela curte uma coisa chamada bolas tailandesas... mas eu não sei o que é isso, e como tenho medo de perguntar, troquei por uma visão mais sublime da coisa). Álvaro é meu amigo, eu o conheço bem e sei que ele não é assim. Álvaro pode oferecer outras coisas, coisas mais importantes. Álvaro é uma das pessoas mais leais que conheço. Álvaro é inteligente. Quando Álvaro ama, ama de verdade, nada mais importa. Álvaro é esperto e bem humorado. Álvaro deixa de comer para que o filho coma alguma coisa. Apesar das provas contrárias, ele é sim um cara esforçado. Ele tenta, mas os anos vão passando e ele não consegue ajeitar uma ponta aqui nem outra lá, e aí agora Álvaro beira os quarenta e fica tudo cada vez mais difícil, sabe? Álvaro é um cara sensível e chora quando tenta entender onde errou.

Carol também quer outras coisas que Álvaro jamais poderá dar, mas essas coisas são dele mesmo, e não acho que devo escrevê-las aqui.

Por outro lado, Álvaro não pede muito, ele se contenta com bem menos. Ele quer uma vidinha assim, bem simples, daquelas que você só toma refrigerante aos finais de semana porque a grana não dá, mas seu filhinho tem um convênio médico razoável e você pode se dar ao luxo de uma festinha de aniversário bem legal para ele. Só. Não é pedir muito, é? Não, não é. Infelizmente, pessoas ocas querem mais, porque precisam encher suas vidinhas imbecis de aparências, para que todo o resto do mundo pense que está tudo bem, e essa palhaçada acaba virando um teatro que desgasta, cansa, consome.

Os dois se cansaram e eu não acho uma pena que isso tenha acontecido.

Álvaro está sofrendo com tudo isso, e eu nunca o vi tão triste. Ele sofre porque sente falta do filho, da Carol e da vida deles juntos. Quanto à Carol, não sei se está triste ou feliz com a separação, e, sinceramente, nem quero saber. Álvaro quer voltar para casa, mas ainda está tudo muito tumultuado. Isso me corta o coração, mas acho mesmo que eles devem ficar alguns meses longe um do outro, principalmente para que Carol veja e sinta na pele como faz falta ter alguém tão bacana do lado.

E, principalmente, para Álvaro deixar ter pena de si próprio e enfrentar seus dragões de uma vez por todas.