Oh Lord, won’t you buy me a color TV?
Isso é segredo, hein? Ontem eu estava assistindo o programa da Sra. Quase Jagger, Luciana Gimenez, ou Ximenes, não sei. Pois é, eu assisto a “trasheira” da tevê aberta.
Esqueci de falar que Max providenciou um novo gato para minha TV a cabo, dessa vez mais bem feitinho, parece até trabalho de profissional mesmo. Ficou bom, Maqes, muitíssimo obrigada... mas acontece que no meu quarto não tem tevê a cabo, e ontem eu estava com muito frio para ficar na sala e queria logo me enrolar nas cobertas, aí fiquei assistindo esses programas redutores *AB Swing* de cérebro.
Bom, aí tinha lá a história de um menino que tem uma doença rara chamada FOP - Fibrodisplasia Ossificante Progressiva. Cara, é um negócio impressionante. Se o objetivo era me fazer assistir ao tal programa, meus sinceros parabéns à produção de Sra. Quase “Sou Bonita Pra Caralho Mas Burra Como Uma Porta” Jagger. Fiquei impressionada, se bem que foi conivente também uma ponta da minha obssessão por filmes de terror classe B e pessoas deformadas e fotos de acidentes e autópsias de ET´s e coisas do gênero.
A parada (FOP) funciona assim: formam-se ossos na pessoa em lugares onde não poderiam, e nem deveriam, haver ossos. Pode ser no interior dos músculos, tendões, ligamentos. Pode ser um osso que forma uma espécie de “ponte” de um osso a outro, tipo no meio das costas. No final da história, o cara fica parecendo uma estátua *da escola cubista, claro*, porque tudo quanto é articulação vira osso e fica dura. Um negócio horroroso mesmo, fora que o cara fica absurdamente deformado. Além de não ter cura, o fim ainda é triste: assim como uma estátua, se o cara cair, ele quebra. E morre.
E lá estava o menino, chamado Wellington, que além de ter essa doença ainda cuida da mãe, que é cega. Eu me pergunto onde eles (os produtores do programa) acham essas pessoas. Mondo cane, né? É disso que as pessoas, inclusive eu, gostam. Enfim. Todo mundo chorando, até na platéia. Deprimente, triste, dramático. Wellington emocionado, mãe de Wellington emocionada, Sra. Quase “Faço Perguntas Estúpidas Quando O Diretor Não Diz Nada No Ponto E Me Orgulho Disso” Jagger emocionada. Eu também estava emocionada, confesso. Quase chorando. Perguntando-me por que diabos fico deprimida se meus ossos estão todos nos lugares certos e eu não sou durinha e consigo engolir minha comida sentada e minha mãe, apesar de míope, não precisa que ponham pasta de dentes em sua escova. Sou uma ingrata mesmo.
Cara, no meio do programa o ataque de riso que eu estaria tendo normalmente já tinha sido substituído por uma aflição aqui dentro, sabe? E eu queria mudar o canal e não conseguia, porque as empresas começaram a dar presentes para Wellington, à la Porta da Esperança. Ainda bem, porque o ataque de riso tardou mas não falhou.
Um cara deu um computador e um emprego. Outro cara deu uma tevê, uma geladeira e sei lá mais o que. Aí LuciAnta Gimenez *Ximenes?* perguntou à mãe de Wellington se tinha alguma coisa que ela queria ter em casa e não tinha. Mãe de Wellington começou a chorar imediatamente e disse que queria ter uma cama de casal. Que esse era o sonho da vida dela (!). Uns cinco minutos de tambores rufando depois, entra um cara das Lojas Marabraz, anunciando que daria de presente a eles muitos móveis. Muitos. Mesmo.
Aí não teve jeito. Eu chorava de rir. A médica havia acabado de explicar que quem tem essa doença deve sentar-se em um sofá confortável e deve dormir num colchão confortável, já que qualquer lesão, por menor que seja, faz nascer outro osso. Mesmo uma torçãozinha mínima. Imagine Wellington tentando sair do Conjunto Bartira Dois e Três Lugares que o Seu Marabraz resolveu mandar. Seu Marabraz devia ser indiciado por homicídio doloso. Isso não se faz. O menino já é todo torto e o cara ainda quer que ele durma numa cama das Lojas Marabraz com um colchão das Lojas Marabraz. Cristo, que maldade.
O coitado do Wellington ficou meio desapontado, era visível. Ainda mais quando o tiozinho representando o Seu Marabraz anunciou que ele ainda ganharia um relógio de parede do Zezé de Camargo e Luciano. Que palhaçada. Ok, os maxilares de Wellington estão travados e isso o impede de sorrir - além de mastigar, falar direito, entre outras coisas. Mas posso jurar que depois da notícia do relógio Wellington ficou sério. Parou de *tentar* rir. Foi engraçadíssimo.
Mas ainda teve mais: Seu Marabraz mandou uma cama de casal, sim, só que para Wellington. A mãe terá que continuar dormindo numa cama de solteiro. Foda-se que esse era o sonho dela e ela é cega, Seu Marabraz só mandou uma cama de casal e não era para ela. Seu Marabraz é um pão duro dos infernos. E a *antes elogiada* incompetente produção do programa nem para mudar a fala do tiozinho na última hora e mandar ele dizer que a cama de casal era para a mãe, para realizar o sonho dela e bla bla bla. A tia ficou com a maior cara de tacho. Hilário.
....
Tenho quase certeza que eles vão botar fogo nos móveis do Seu Marabraz.
Isso é segredo, hein? Ontem eu estava assistindo o programa da Sra. Quase Jagger, Luciana Gimenez, ou Ximenes, não sei. Pois é, eu assisto a “trasheira” da tevê aberta.
Esqueci de falar que Max providenciou um novo gato para minha TV a cabo, dessa vez mais bem feitinho, parece até trabalho de profissional mesmo. Ficou bom, Maqes, muitíssimo obrigada... mas acontece que no meu quarto não tem tevê a cabo, e ontem eu estava com muito frio para ficar na sala e queria logo me enrolar nas cobertas, aí fiquei assistindo esses programas redutores *AB Swing* de cérebro.
Bom, aí tinha lá a história de um menino que tem uma doença rara chamada FOP - Fibrodisplasia Ossificante Progressiva. Cara, é um negócio impressionante. Se o objetivo era me fazer assistir ao tal programa, meus sinceros parabéns à produção de Sra. Quase “Sou Bonita Pra Caralho Mas Burra Como Uma Porta” Jagger. Fiquei impressionada, se bem que foi conivente também uma ponta da minha obssessão por filmes de terror classe B e pessoas deformadas e fotos de acidentes e autópsias de ET´s e coisas do gênero.
A parada (FOP) funciona assim: formam-se ossos na pessoa em lugares onde não poderiam, e nem deveriam, haver ossos. Pode ser no interior dos músculos, tendões, ligamentos. Pode ser um osso que forma uma espécie de “ponte” de um osso a outro, tipo no meio das costas. No final da história, o cara fica parecendo uma estátua *da escola cubista, claro*, porque tudo quanto é articulação vira osso e fica dura. Um negócio horroroso mesmo, fora que o cara fica absurdamente deformado. Além de não ter cura, o fim ainda é triste: assim como uma estátua, se o cara cair, ele quebra. E morre.
E lá estava o menino, chamado Wellington, que além de ter essa doença ainda cuida da mãe, que é cega. Eu me pergunto onde eles (os produtores do programa) acham essas pessoas. Mondo cane, né? É disso que as pessoas, inclusive eu, gostam. Enfim. Todo mundo chorando, até na platéia. Deprimente, triste, dramático. Wellington emocionado, mãe de Wellington emocionada, Sra. Quase “Faço Perguntas Estúpidas Quando O Diretor Não Diz Nada No Ponto E Me Orgulho Disso” Jagger emocionada. Eu também estava emocionada, confesso. Quase chorando. Perguntando-me por que diabos fico deprimida se meus ossos estão todos nos lugares certos e eu não sou durinha e consigo engolir minha comida sentada e minha mãe, apesar de míope, não precisa que ponham pasta de dentes em sua escova. Sou uma ingrata mesmo.
Cara, no meio do programa o ataque de riso que eu estaria tendo normalmente já tinha sido substituído por uma aflição aqui dentro, sabe? E eu queria mudar o canal e não conseguia, porque as empresas começaram a dar presentes para Wellington, à la Porta da Esperança. Ainda bem, porque o ataque de riso tardou mas não falhou.
Um cara deu um computador e um emprego. Outro cara deu uma tevê, uma geladeira e sei lá mais o que. Aí LuciAnta Gimenez *Ximenes?* perguntou à mãe de Wellington se tinha alguma coisa que ela queria ter em casa e não tinha. Mãe de Wellington começou a chorar imediatamente e disse que queria ter uma cama de casal. Que esse era o sonho da vida dela (!). Uns cinco minutos de tambores rufando depois, entra um cara das Lojas Marabraz, anunciando que daria de presente a eles muitos móveis. Muitos. Mesmo.
Aí não teve jeito. Eu chorava de rir. A médica havia acabado de explicar que quem tem essa doença deve sentar-se em um sofá confortável e deve dormir num colchão confortável, já que qualquer lesão, por menor que seja, faz nascer outro osso. Mesmo uma torçãozinha mínima. Imagine Wellington tentando sair do Conjunto Bartira Dois e Três Lugares que o Seu Marabraz resolveu mandar. Seu Marabraz devia ser indiciado por homicídio doloso. Isso não se faz. O menino já é todo torto e o cara ainda quer que ele durma numa cama das Lojas Marabraz com um colchão das Lojas Marabraz. Cristo, que maldade.
O coitado do Wellington ficou meio desapontado, era visível. Ainda mais quando o tiozinho representando o Seu Marabraz anunciou que ele ainda ganharia um relógio de parede do Zezé de Camargo e Luciano. Que palhaçada. Ok, os maxilares de Wellington estão travados e isso o impede de sorrir - além de mastigar, falar direito, entre outras coisas. Mas posso jurar que depois da notícia do relógio Wellington ficou sério. Parou de *tentar* rir. Foi engraçadíssimo.
Mas ainda teve mais: Seu Marabraz mandou uma cama de casal, sim, só que para Wellington. A mãe terá que continuar dormindo numa cama de solteiro. Foda-se que esse era o sonho dela e ela é cega, Seu Marabraz só mandou uma cama de casal e não era para ela. Seu Marabraz é um pão duro dos infernos. E a *antes elogiada* incompetente produção do programa nem para mudar a fala do tiozinho na última hora e mandar ele dizer que a cama de casal era para a mãe, para realizar o sonho dela e bla bla bla. A tia ficou com a maior cara de tacho. Hilário.
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Tenho quase certeza que eles vão botar fogo nos móveis do Seu Marabraz.


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