Lips like sugar
E agora que tudo anda relativamente bem e ando conseguindo pensar direito e agir direito e ser paciente e sorridente e simpática e amável, eis que minha saúde começa novamente a dar sinais de falência. Bem daquele jeito que acontece quando você passa por um choque muito grande na sua vida e aguenta firme, firme, firme, e uma hora desmorona, desaba, chora até perder o fôlego e depois desmaia.
Então, isso geralmente acontece comigo, aliás, sempre acontece comigo. As coisas ficam ruins demais e eu lá fazendo piada de tudo e achando tudo engraçado pra cacete e aguentando e segurando do jeito que dá, e as coisas vão se acertando, acontecendo, se encaixando, e eu sempre acabo vencendo pelo cansaço. Aí, quando passa o choque, bang!, eu fico doente. É batata (eu não gosto de falar é batata porque eu não entendo o que a batata tem a ver com a história, mas aqui cabe direitinho), minha saúde que já não é lá essas coisas, já que parei de nadar e fumo que nem uma doida e não como nada que preste, vai pro beleléu (beleléu eu gosto de falar, é uma palavra engraçada).
Aí agora passou o choque e apareceu uma ferida do tamanho de uma laranja lima no meu lábio. Eca. Que coisa nojenta. Meu lábio inferior tem uma feridona gosmenta elefantíasica. E eu lá falando com o cliente e o cliente olhando pro meu lábio o tempo todo, daquele jeito que você não consegue desviar o olhar quando alguém tem uma verruga de bruxa de desenho animado na cara, com direito aos três pelinhos. Pois é, me senti a própria. Eu ia abaixando a cabeça para que os olhares se encontrassem e ele parasse de olhar para a minha boca e o cara ia abaixando junto. Ridículo, patético. Quando me dei conta já estávamos os dois com a cabeça paralela ao chão e quase encostando na mesa. Aí eu tive que falar.
- Essa ferida na minha boca tá muito feia?
- Ferida, que ferida?
Ah, me poupe. Não precisa ser gentil, obrigada, eu tenho espelho e já vi que o negócio tá grotesco. Mas pelo menos o cliente parou de olhar, seus olhos só davam uma escapadela vez ou outra, mas logo voltavam à posição original. Ô povinho sem educação. Vocês não sabem que é feio ficar olhando para as pessoas defeituosas e purulentas? Isso não é legal, gente.
Mas o pior ainda estava por vir. Chego no escritório, Adriano bate o olho em mim e dá um berro, delicado que só ele:
- CREDO, VOCÊ TÁ COM CANCRO MOLE!
Cancro mole, Dri? De onde diabos você tirou isso? No máximo uma herpezinha do tempo em que eu distribuía beijos assim como quem distrubui doces no Halloween; fazei o bem sem olhar a quem ou algo desse tipo. Mas cancro mole? Isso porventura dá na boca? Melhor nem perguntar, acho que não quero saber. Herpes, só pode ser herpes.
....
De qualquer forma, é melhor pensar isso do que achar que meu namorado amado e idolatrado e fofo e futuro pai dos meus filhotes anda pulando a cerca com alguma encrenca por aí.
E agora que tudo anda relativamente bem e ando conseguindo pensar direito e agir direito e ser paciente e sorridente e simpática e amável, eis que minha saúde começa novamente a dar sinais de falência. Bem daquele jeito que acontece quando você passa por um choque muito grande na sua vida e aguenta firme, firme, firme, e uma hora desmorona, desaba, chora até perder o fôlego e depois desmaia.
Então, isso geralmente acontece comigo, aliás, sempre acontece comigo. As coisas ficam ruins demais e eu lá fazendo piada de tudo e achando tudo engraçado pra cacete e aguentando e segurando do jeito que dá, e as coisas vão se acertando, acontecendo, se encaixando, e eu sempre acabo vencendo pelo cansaço. Aí, quando passa o choque, bang!, eu fico doente. É batata (eu não gosto de falar é batata porque eu não entendo o que a batata tem a ver com a história, mas aqui cabe direitinho), minha saúde que já não é lá essas coisas, já que parei de nadar e fumo que nem uma doida e não como nada que preste, vai pro beleléu (beleléu eu gosto de falar, é uma palavra engraçada).
Aí agora passou o choque e apareceu uma ferida do tamanho de uma laranja lima no meu lábio. Eca. Que coisa nojenta. Meu lábio inferior tem uma feridona gosmenta elefantíasica. E eu lá falando com o cliente e o cliente olhando pro meu lábio o tempo todo, daquele jeito que você não consegue desviar o olhar quando alguém tem uma verruga de bruxa de desenho animado na cara, com direito aos três pelinhos. Pois é, me senti a própria. Eu ia abaixando a cabeça para que os olhares se encontrassem e ele parasse de olhar para a minha boca e o cara ia abaixando junto. Ridículo, patético. Quando me dei conta já estávamos os dois com a cabeça paralela ao chão e quase encostando na mesa. Aí eu tive que falar.
- Essa ferida na minha boca tá muito feia?
- Ferida, que ferida?
Ah, me poupe. Não precisa ser gentil, obrigada, eu tenho espelho e já vi que o negócio tá grotesco. Mas pelo menos o cliente parou de olhar, seus olhos só davam uma escapadela vez ou outra, mas logo voltavam à posição original. Ô povinho sem educação. Vocês não sabem que é feio ficar olhando para as pessoas defeituosas e purulentas? Isso não é legal, gente.
Mas o pior ainda estava por vir. Chego no escritório, Adriano bate o olho em mim e dá um berro, delicado que só ele:
- CREDO, VOCÊ TÁ COM CANCRO MOLE!
Cancro mole, Dri? De onde diabos você tirou isso? No máximo uma herpezinha do tempo em que eu distribuía beijos assim como quem distrubui doces no Halloween; fazei o bem sem olhar a quem ou algo desse tipo. Mas cancro mole? Isso porventura dá na boca? Melhor nem perguntar, acho que não quero saber. Herpes, só pode ser herpes.
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De qualquer forma, é melhor pensar isso do que achar que meu namorado amado e idolatrado e fofo e futuro pai dos meus filhotes anda pulando a cerca com alguma encrenca por aí.


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