8.20.2004

I'll lie again and again… and I'll keep lying… I promise.






Aí ligou anteontem o cara da oficina para dizer que meu carro estava pronto. Ligou para o Max, que me ligou e quase infartei de tanto rir. Cara, são quase quatro meses nesse rolo... pelamordedeus, esse povo só pode estar brincando comigo.

E olha que o Sr. Moço Dono da Oficina só resolveu consertar meu pobre carrinho depois que mandamos, eu e Max, um e-mail violentíssimo para mais ou menos umas trinta pessoas importantes. Não que eu conheça essas pessoas importantes, na verdade acho que nunca nem estive na mesma sala que uma pessoa importante, mas eu e Max temos cérebro, sabe? Somos espertos. Temos aqui um Yearbook da AMCHAM que alguém ia jogar fora porque é velho e o Max trouxe para cá. Vi lá então os nomes das pessoas importantes da Renault e juro que inventei os e-mails (lá não tem os e-mails das pessoas importantes), porque a gente ia mandar um texto gigantesco fodendo todo mundo envolvido nessa palhaçada e ia ser uma coisa meio para assustar, sabe? Ai, caralho, esse e-mail foi com cópia para o diretor de não-sei-o-que... vamos fazer alguma coisa! Enquanto isso Max ia procurando e-mails de órgãos regulamentadores de seguros, oficinas, essas coisas. Mandamos a bucha com cópia para trezentos caras da Renault, Folha de São Paulo, Estado, Diário, Jornal da Tarde, Procon, Susep, e mais uma caralhada de gente. Perdi uma tarde toda cadastrando reclamações em sites de reclamações. Não que acreditássemos mesmo que essa estrategiazinha barata fosse dar resultado. Mas pelo menos engrossaria o número de destinatários.

Engano nosso. A estrategiazinha não só deu resultado como causou o maior rebuliço.

Acertamos sem querer uns dois ou três e-mails de pessoas importantes. Foi impressionante, todo mundo se mexeu. Uma peça que aparentemente estava em falta materializou-se na oficina. O discurso mudou imediatamente do “entre hoje e amanhã” para prazos concretos e bem discriminadinhos a respeito de cada etapa do conserto. O corretor apareceu, a Renault me ligou menos de duas horas depois do envio do e-mail, a seguradora mandou um perito na oficina no mesmo dia para averiguar. Até encheu o saco depois de um tempo porque toda hora os caras ficavam me ligando para dizer quem estava fazendo o que. Pareciam um bando de baratas tontas. Seria bem mais engraçado se eu não tivesse tão puta da vida.

Bom, aí nos deram o prazo de entrega do carro: vinte de agosto. Muito longe, já que mandei o e-mail em vinte de julho, mas... o que eu poderia fazer? Esperar.

Quando o cara ligou anteontem para dizer que o carro estava pronto, eu ri. Pronto três dias antes do prazo? Impossível. Alguma coisa estaria errada.

E estava mesmo. Óbvio.

Nunca vi um serviço tão porco em toda a minha vida, e olha que eu tenho a tendência natural a sempre falar tááááááááá bom assim, deixa pra lá, quem vai ver esse amassadinho aí?, mas o negócio estava muito mal feito mesmo, não dava para disfarçar. Não tinha como.

Recusamos o serviço e deixamos o carro lá. Max disse que a essa hora provavelmente os mecânicos e funileiros e donos da oficina devem estar fazendo um concurso entre eles de quem escreve o próprio nome com mijo no estofamento mais rápido. Ou quem consegue cagar a maior quantidade no porta malas. Ou ainda quem faz o boneco vudú mais fiel a nós dois. Acho que ele tem razão.

Agora só nos resta esperar, de novo. Muito ônibus lotado para mim ainda. Eba.




....




Ah, teve o ponto alto de nossa visita à oficina. Olhamos tudo, tiramos fotos, reclamamos, e o Sr. Moço Dono da Oficina nem teve coragem de argumentar, tão feia estava a coisa. Ficou quieto o tempo todo com uma cara de retardado. Aí o Max lança, bem calminho e falando baixo:

- Agora eu vou ter que esperar mais três meses para vocês arrumarem a merda que fizeram?

- Ãaahnnn, errr, veja beeeem...

Se o cara pudesse se enfiar num buraco, tenho certeza que não pensaria duas vezes.

Valeu, Max. Essa foi foda.