8.30.2004

Agora, olha bem no fundo dos meus olhos e me diz quantas pessoas que você conhece sabem interpretar um texto. Eu diria que são aproximadamente uns 2% da população alfabetizada mundial. Tem casos mais graves, daqueles que mesmo você falando ao vivo e a cores e gesticulando e usando as entonações de voz e expressões faciais adequadas, é como falar com uma mula. O cara na sua frente não te entende. E ainda fica te olhando com uma cara de Lula no outdoor das eleições passadas, cara de olhando para o horizonte, sabe? Essa cara aí mesmo. O imbecil não faz a mais puta idéia do que você quer dizer. Mas ok, este é um caso mais grave.

De casos leves esse blog aqui tá cheio. Eu sei que escrevo mal, se eu escrevesse bem eu era escritora e não dezáiner. Mas acho que dá para entender o que escrevo, certo? Certo. Eu nem sei usar palavras rebuscadas e escrevo como se estivesse falando com um amigo. Então não me venham encher a porra do saco sobre o que eu escrevo. Não entendeu o contexto? Foda-se. Eu é que não vou ficar explicando.

8.26.2004

Well, I woke up this morning, and I got myself a beer






Eu não gosto de gente que não toma cerveja. Gente que não bebe, inda vá lá. Mas gente que não toma cerveja é um saco. Gente que não toma cerveja não joga truco, não faz arremesso de bolachas, só come pão com vinagrete no churrasco, porque acha a carne muito salgada, não gosta de bolinho de bacalhau, não gosta de amendoim japonês, não tem motivo para ir na Oktoberfest, não tem motivo para ir no Bar do Juarez, não tem motivo para ir no Frangó, não tem motivo para ir no Bar do Léo, não tem motivo para ir no Jabuti, não tem latinhas para vender depois por trêrreau o quilo, não aprende a calcular quantas garrafas tem na pirâmide, fica logo com sono, não entende que é necessário se deslocar até Ribeirão Preto para provar o chopp do Pinguim, fica tomando bebidas com kiwi (eca) e lima-da-pérsia (o que quer que seja isso), não sabe o que é saideira, não sabe o que é caideira, não sabe fazer brincadeiras com o rótulo da garrafa (Agora-Não-Tenho-Alternativa-Resolvi-Comer-Todas-Inclusive-Colegas-e-Amigas ou Buceta-Raspada-Atrai-Homens-Muito-Apaixonados), não sabe por que os copos ficam na geladeira, não concebe o significado cósmico da barriguinha de cerveja, não se diverte nada no trote da faculdade, não se diverte nada na faculdade, não se diverte nada depois da faculdade, tem vergonha de mijar em lugares públicos, não sabe que não existe nada melhor para curar a ressaca que uma latinha logo que você acorda, não come ovo azul, não come ovo rosa, fica disfarçando o arroto, tem pedras nos rins. É um saco. Vou cortar relações com todas as pessoas que conheço que não tomam cerveja.



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Menos a Lili, porque ela pode. Só a Lili.

8.25.2004

s'always the same, just a shame, that's all







Me liga a menina das Casas André Luiz. Eu aqui concentrada, quase terminando a porra da apresentação em PowerPoint do cliente (por que, meu deus, por que depois de gastar milhares de dólares em cursos avançados de softwares complicadíssimos eu acabo fazendo apresentaçõezinhas meia boca no PowerPoint? por queeeeeeeeeeeeee?). Gostaria de estar falando com o responsável, diz ela. Eu, distraída, pode falar. Ela diz, a senhora gostaria de estar conhecendo o trabalho das Casas André Luiz? Já conheço, resmungo. O motivo de nossa ligação é que gostaríamos de estar pedindo sua contribuição e bla bla bla. Eu estava muito concentrada no que estava fazendo, muito mesmo, e não lembrei de simplesmente desligar o telefone, como faço geralmente. A menina falou, falou, falou... isso é interessante, eu nunca tinha ouvido o discurso até o final, nem sabia que durava tanto. Acho que ela falou por uns quinze minutos, e mandou o clássico a senhora gostaria de estar contribuindo? Eu disse não. Eita, eu nunca tinha dito não antes. Foi bom, viu? Legal. Não. Não, caralho. Ene. Á. Ó. Til. NÃO. Muito jóia isso.

Mas acho que ela já previa o não.

- Então as crianças carentes das Casas André Luiz não poderão estar contando com a sua ajuda?

Estratégia nova, tentando me comover? Desculpaí, comigo isso não funciona.

- Não.

- Não?

- Você é surda?

Cara, a menina bateu o telefone na minha cara. Divertido, isso. Creio que ela não ligará mais.

8.23.2004

Lips like sugar







E agora que tudo anda relativamente bem e ando conseguindo pensar direito e agir direito e ser paciente e sorridente e simpática e amável, eis que minha saúde começa novamente a dar sinais de falência. Bem daquele jeito que acontece quando você passa por um choque muito grande na sua vida e aguenta firme, firme, firme, e uma hora desmorona, desaba, chora até perder o fôlego e depois desmaia.

Então, isso geralmente acontece comigo, aliás, sempre acontece comigo. As coisas ficam ruins demais e eu lá fazendo piada de tudo e achando tudo engraçado pra cacete e aguentando e segurando do jeito que dá, e as coisas vão se acertando, acontecendo, se encaixando, e eu sempre acabo vencendo pelo cansaço. Aí, quando passa o choque, bang!, eu fico doente. É batata (eu não gosto de falar é batata porque eu não entendo o que a batata tem a ver com a história, mas aqui cabe direitinho), minha saúde que já não é lá essas coisas, já que parei de nadar e fumo que nem uma doida e não como nada que preste, vai pro beleléu (beleléu eu gosto de falar, é uma palavra engraçada).

Aí agora passou o choque e apareceu uma ferida do tamanho de uma laranja lima no meu lábio. Eca. Que coisa nojenta. Meu lábio inferior tem uma feridona gosmenta elefantíasica. E eu lá falando com o cliente e o cliente olhando pro meu lábio o tempo todo, daquele jeito que você não consegue desviar o olhar quando alguém tem uma verruga de bruxa de desenho animado na cara, com direito aos três pelinhos. Pois é, me senti a própria. Eu ia abaixando a cabeça para que os olhares se encontrassem e ele parasse de olhar para a minha boca e o cara ia abaixando junto. Ridículo, patético. Quando me dei conta já estávamos os dois com a cabeça paralela ao chão e quase encostando na mesa. Aí eu tive que falar.

- Essa ferida na minha boca tá muito feia?

- Ferida, que ferida?

Ah, me poupe. Não precisa ser gentil, obrigada, eu tenho espelho e já vi que o negócio tá grotesco. Mas pelo menos o cliente parou de olhar, seus olhos só davam uma escapadela vez ou outra, mas logo voltavam à posição original. Ô povinho sem educação. Vocês não sabem que é feio ficar olhando para as pessoas defeituosas e purulentas? Isso não é legal, gente.

Mas o pior ainda estava por vir. Chego no escritório, Adriano bate o olho em mim e dá um berro, delicado que só ele:

- CREDO, VOCÊ TÁ COM CANCRO MOLE!

Cancro mole, Dri? De onde diabos você tirou isso? No máximo uma herpezinha do tempo em que eu distribuía beijos assim como quem distrubui doces no Halloween; fazei o bem sem olhar a quem ou algo desse tipo. Mas cancro mole? Isso porventura dá na boca? Melhor nem perguntar, acho que não quero saber. Herpes, só pode ser herpes.



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De qualquer forma, é melhor pensar isso do que achar que meu namorado amado e idolatrado e fofo e futuro pai dos meus filhotes anda pulando a cerca com alguma encrenca por aí.

8.20.2004

I'll lie again and again… and I'll keep lying… I promise.






Aí ligou anteontem o cara da oficina para dizer que meu carro estava pronto. Ligou para o Max, que me ligou e quase infartei de tanto rir. Cara, são quase quatro meses nesse rolo... pelamordedeus, esse povo só pode estar brincando comigo.

E olha que o Sr. Moço Dono da Oficina só resolveu consertar meu pobre carrinho depois que mandamos, eu e Max, um e-mail violentíssimo para mais ou menos umas trinta pessoas importantes. Não que eu conheça essas pessoas importantes, na verdade acho que nunca nem estive na mesma sala que uma pessoa importante, mas eu e Max temos cérebro, sabe? Somos espertos. Temos aqui um Yearbook da AMCHAM que alguém ia jogar fora porque é velho e o Max trouxe para cá. Vi lá então os nomes das pessoas importantes da Renault e juro que inventei os e-mails (lá não tem os e-mails das pessoas importantes), porque a gente ia mandar um texto gigantesco fodendo todo mundo envolvido nessa palhaçada e ia ser uma coisa meio para assustar, sabe? Ai, caralho, esse e-mail foi com cópia para o diretor de não-sei-o-que... vamos fazer alguma coisa! Enquanto isso Max ia procurando e-mails de órgãos regulamentadores de seguros, oficinas, essas coisas. Mandamos a bucha com cópia para trezentos caras da Renault, Folha de São Paulo, Estado, Diário, Jornal da Tarde, Procon, Susep, e mais uma caralhada de gente. Perdi uma tarde toda cadastrando reclamações em sites de reclamações. Não que acreditássemos mesmo que essa estrategiazinha barata fosse dar resultado. Mas pelo menos engrossaria o número de destinatários.

Engano nosso. A estrategiazinha não só deu resultado como causou o maior rebuliço.

Acertamos sem querer uns dois ou três e-mails de pessoas importantes. Foi impressionante, todo mundo se mexeu. Uma peça que aparentemente estava em falta materializou-se na oficina. O discurso mudou imediatamente do “entre hoje e amanhã” para prazos concretos e bem discriminadinhos a respeito de cada etapa do conserto. O corretor apareceu, a Renault me ligou menos de duas horas depois do envio do e-mail, a seguradora mandou um perito na oficina no mesmo dia para averiguar. Até encheu o saco depois de um tempo porque toda hora os caras ficavam me ligando para dizer quem estava fazendo o que. Pareciam um bando de baratas tontas. Seria bem mais engraçado se eu não tivesse tão puta da vida.

Bom, aí nos deram o prazo de entrega do carro: vinte de agosto. Muito longe, já que mandei o e-mail em vinte de julho, mas... o que eu poderia fazer? Esperar.

Quando o cara ligou anteontem para dizer que o carro estava pronto, eu ri. Pronto três dias antes do prazo? Impossível. Alguma coisa estaria errada.

E estava mesmo. Óbvio.

Nunca vi um serviço tão porco em toda a minha vida, e olha que eu tenho a tendência natural a sempre falar tááááááááá bom assim, deixa pra lá, quem vai ver esse amassadinho aí?, mas o negócio estava muito mal feito mesmo, não dava para disfarçar. Não tinha como.

Recusamos o serviço e deixamos o carro lá. Max disse que a essa hora provavelmente os mecânicos e funileiros e donos da oficina devem estar fazendo um concurso entre eles de quem escreve o próprio nome com mijo no estofamento mais rápido. Ou quem consegue cagar a maior quantidade no porta malas. Ou ainda quem faz o boneco vudú mais fiel a nós dois. Acho que ele tem razão.

Agora só nos resta esperar, de novo. Muito ônibus lotado para mim ainda. Eba.




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Ah, teve o ponto alto de nossa visita à oficina. Olhamos tudo, tiramos fotos, reclamamos, e o Sr. Moço Dono da Oficina nem teve coragem de argumentar, tão feia estava a coisa. Ficou quieto o tempo todo com uma cara de retardado. Aí o Max lança, bem calminho e falando baixo:

- Agora eu vou ter que esperar mais três meses para vocês arrumarem a merda que fizeram?

- Ãaahnnn, errr, veja beeeem...

Se o cara pudesse se enfiar num buraco, tenho certeza que não pensaria duas vezes.

Valeu, Max. Essa foi foda.

8.19.2004

Fora!, esqueça meu nome, meu rosto, esta casa...







As coisas definitivamente têm melhorado.

Além de eu me livrar d´A Draga, O Monstro Insaciável Devorador de Todo e Qualquer Gênero Alimentício, Lili estava mesmo querendo um lugar mais perto do trampo dela para morar, já que a casa dela não é o que se pode chamar exatamente de um ambiente saudável. Yeah. Fomos todos à Teodoro Sampaio sábado e Lili comprou uma cama linda e muito fofinha e no próximo final de semana Lili muda-se para minha casa. Mas depois eu falo mais sobre isso, porque prometi contar o que aconteceu com A Draga.

Na verdade, eu não fiquei somente brava. Também fiquei perplexa. E me senti injustiçada. E traída.

A Draga comeu toda a minha comida e eu não falei nada. A Draga tomou toda a minha Coca-Cola, mesmo depois de eu ter pedido para não tomar e eu não falei nada. A Draga ligou para todas as pessoas da face da Terra e a conta de telefone foi a maior de todos os tempos da história da Telefônica e eu não falei nada. Minha casa ficou um chiqueiro e eu não falei nada. Ok, eu até falei alguma coisa, mas foi bem light perto do panorama. A Draga não lavava louça, não lavava roupa, não cozinhava, não limpava, ouvia música muito alto e queria que eu ensaiasse uns textos bem meia boca com ele depois de eu trabalhar o dia todo e estar morta de cansaço e eu ensaiava e não falei nada.

Claro que eu estava olhando o meu lado, eu precisava (preciso) da grana, mas tentei fazer a convivência a melhor possível. Eu mal fiquei em casa nesse tempo, procurava não tumultuar muito. Cozinhei, limpei, lavei louça e lavei roupa. Até minha mami o respeitou e ficou amiga dele e eles conversaram muito. Max foi muito gentil e deixou que ele tomasse todas as cervejas que estavam na geladeira. Meus amigos que foram lá nesse meio tempo fizeram com que ele se sentisse parte da galera e fizesse parte da conversa. Fomos todos amáveis demais, eu sei.

E depois de tudo isso, sabe o que A Draga disse, pelo telefone, sem nem direito a uma conversa olho no olho? Que NÃO ESTAVA SE SENTINDO À VONTADE. Fala sério, sua bicha mal agradecida. Nós fizemos a mudança dele, carregamos peso, pagamos pizza, cerveja, balada, supermercado. Aliás, essa história do supermercado foi muito interessante. Depois de dias sem nem água na geladeira, resolvi fazer umas compras bem basiquinhas porque estávamos os dois sem grana. Comprei o mínimo necessário e miojos, umas asinhas de frango, arroz, macarrão, óleo, margarina, papel higiênico, sabão em pó, pão de forma. Quando cheguei com a notinha para que rachássemos, A Draga me comunicou que estava de dieta e não ia comer nada daquilo, portanto não ia pagar. Beleza, pensei, quero só ver. Risquei da notinha tudo o que era comida e ele pagou metade dos produtos de limpeza. Deu uns doze reais. Ok, pensei, então cumpra sua promessa e NÃO TOQUE NA COMIDA. Não falei nada porque não queria parecer mesquinha, do tipo duvide-o-dó, guardei tudo no armário e lá ficou. Como eu disse, eu quase não ficava em casa e Max andou me pagando muitas jantas com o Visa Vale dele, e acabou que eu própria não toquei na comida. Umas duas semanas depois, cheguei cansada em casa, já pensando: não vou cozinhar nada, só vou fazer um miojinho, tomar um banhinho e cama. Perfeito.

Hahahahahaha. Como sou tonta.


Não tinha UMA PORRA DUM MIOJO NO ARMÁRIO. Não tinha UM FIOZINHO DE MACARRÃO. Não tinha UMA COLHERINHA DE MARGARINA. Não tinha UM GRÃOZINHO DE ARROZ. Nada, nadinha. A Draga comeu tudo. PORRA, você não estava de dieta, sua bicha mentirosa? Caralho, fui dormir com fome. Isso me deixou muitíssimo puta da vida, mas sou educada e fingi que a comida tinha desintegrado sozinha. Isso é um desrespeito, não se faz. Posso ser mal humorada, casca grossa, boca suja e um tanto louca, mas jogo limpo e detesto gente que não joga.

Depois disso tudo, ainda vem me dizer QUE NÃO ESTÁ SE SENTINDO À VONTADE? Francamente.

Vá esfregar o cú nas ostras, sua bichinha amoral e suja. Só volte para pagar a porra da conta de telefone que você ainda fez o favor de ignorar, como se não fosse sua.



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Ufa, desabafei. Era isso.

8.18.2004

When routine bites hard and ambitions are low





Álvaro e Carol se separaram.

Devo confessar que torci muito para isso, embora seja euzinha a responsável pelo namoro, e seja euzinha a madrinha do filho tão fofo que dá vontade de morder deles, e seja euzinha uma romântica que acredita em finais felizes. Só que do jeito que estava, não ia dar pra continuar por muito mais tempo; era visível o descontentamento dos dois. Carol quer algo que Álvaro jamais poderá dar: um relacionamento hollywoodiano, com jantares à luz de velas dia sim dia não, afagos constantes e morangos com chantilly para incrementar o sexo (isso é mentira, ela curte uma coisa chamada bolas tailandesas... mas eu não sei o que é isso, e como tenho medo de perguntar, troquei por uma visão mais sublime da coisa). Álvaro é meu amigo, eu o conheço bem e sei que ele não é assim. Álvaro pode oferecer outras coisas, coisas mais importantes. Álvaro é uma das pessoas mais leais que conheço. Álvaro é inteligente. Quando Álvaro ama, ama de verdade, nada mais importa. Álvaro é esperto e bem humorado. Álvaro deixa de comer para que o filho coma alguma coisa. Apesar das provas contrárias, ele é sim um cara esforçado. Ele tenta, mas os anos vão passando e ele não consegue ajeitar uma ponta aqui nem outra lá, e aí agora Álvaro beira os quarenta e fica tudo cada vez mais difícil, sabe? Álvaro é um cara sensível e chora quando tenta entender onde errou.

Carol também quer outras coisas que Álvaro jamais poderá dar, mas essas coisas são dele mesmo, e não acho que devo escrevê-las aqui.

Por outro lado, Álvaro não pede muito, ele se contenta com bem menos. Ele quer uma vidinha assim, bem simples, daquelas que você só toma refrigerante aos finais de semana porque a grana não dá, mas seu filhinho tem um convênio médico razoável e você pode se dar ao luxo de uma festinha de aniversário bem legal para ele. Só. Não é pedir muito, é? Não, não é. Infelizmente, pessoas ocas querem mais, porque precisam encher suas vidinhas imbecis de aparências, para que todo o resto do mundo pense que está tudo bem, e essa palhaçada acaba virando um teatro que desgasta, cansa, consome.

Os dois se cansaram e eu não acho uma pena que isso tenha acontecido.

Álvaro está sofrendo com tudo isso, e eu nunca o vi tão triste. Ele sofre porque sente falta do filho, da Carol e da vida deles juntos. Quanto à Carol, não sei se está triste ou feliz com a separação, e, sinceramente, nem quero saber. Álvaro quer voltar para casa, mas ainda está tudo muito tumultuado. Isso me corta o coração, mas acho mesmo que eles devem ficar alguns meses longe um do outro, principalmente para que Carol veja e sinta na pele como faz falta ter alguém tão bacana do lado.

E, principalmente, para Álvaro deixar ter pena de si próprio e enfrentar seus dragões de uma vez por todas.

8.05.2004

I'm cleanin' out my closet





Ah, meu roommate mudou-se. Foi embora. Sumiu. Escafedeu-se. Virou purpurina.

Ainda estou muito brava para escrever sobre, então fica aí a notícia. Quando passar a ira explico melhor.



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Só posso adiantar que o cara era muito mais gay do que eu imaginava.

Oh Lord, won’t you buy me a color TV?





Isso é segredo, hein? Ontem eu estava assistindo o programa da Sra. Quase Jagger, Luciana Gimenez, ou Ximenes, não sei. Pois é, eu assisto a “trasheira” da tevê aberta.


Esqueci de falar que Max providenciou um novo gato para minha TV a cabo, dessa vez mais bem feitinho, parece até trabalho de profissional mesmo. Ficou bom, Maqes, muitíssimo obrigada... mas acontece que no meu quarto não tem tevê a cabo, e ontem eu estava com muito frio para ficar na sala e queria logo me enrolar nas cobertas, aí fiquei assistindo esses programas redutores *AB Swing* de cérebro.


Bom, aí tinha lá a história de um menino que tem uma doença rara chamada FOP - Fibrodisplasia Ossificante Progressiva. Cara, é um negócio impressionante. Se o objetivo era me fazer assistir ao tal programa, meus sinceros parabéns à produção de Sra. Quase “Sou Bonita Pra Caralho Mas Burra Como Uma Porta” Jagger. Fiquei impressionada, se bem que foi conivente também uma ponta da minha obssessão por filmes de terror classe B e pessoas deformadas e fotos de acidentes e autópsias de ET´s e coisas do gênero.


A parada (FOP) funciona assim: formam-se ossos na pessoa em lugares onde não poderiam, e nem deveriam, haver ossos. Pode ser no interior dos músculos, tendões, ligamentos. Pode ser um osso que forma uma espécie de “ponte” de um osso a outro, tipo no meio das costas. No final da história, o cara fica parecendo uma estátua *da escola cubista, claro*, porque tudo quanto é articulação vira osso e fica dura. Um negócio horroroso mesmo, fora que o cara fica absurdamente deformado. Além de não ter cura, o fim ainda é triste: assim como uma estátua, se o cara cair, ele quebra. E morre.


E lá estava o menino, chamado Wellington, que além de ter essa doença ainda cuida da mãe, que é cega. Eu me pergunto onde eles (os produtores do programa) acham essas pessoas. Mondo cane, né? É disso que as pessoas, inclusive eu, gostam. Enfim. Todo mundo chorando, até na platéia. Deprimente, triste, dramático. Wellington emocionado, mãe de Wellington emocionada, Sra. Quase “Faço Perguntas Estúpidas Quando O Diretor Não Diz Nada No Ponto E Me Orgulho Disso” Jagger emocionada. Eu também estava emocionada, confesso. Quase chorando. Perguntando-me por que diabos fico deprimida se meus ossos estão todos nos lugares certos e eu não sou durinha e consigo engolir minha comida sentada e minha mãe, apesar de míope, não precisa que ponham pasta de dentes em sua escova. Sou uma ingrata mesmo.


Cara, no meio do programa o ataque de riso que eu estaria tendo normalmente já tinha sido substituído por uma aflição aqui dentro, sabe? E eu queria mudar o canal e não conseguia, porque as empresas começaram a dar presentes para Wellington, à la Porta da Esperança. Ainda bem, porque o ataque de riso tardou mas não falhou.


Um cara deu um computador e um emprego. Outro cara deu uma tevê, uma geladeira e sei lá mais o que. Aí LuciAnta Gimenez *Ximenes?* perguntou à mãe de Wellington se tinha alguma coisa que ela queria ter em casa e não tinha. Mãe de Wellington começou a chorar imediatamente e disse que queria ter uma cama de casal. Que esse era o sonho da vida dela (!). Uns cinco minutos de tambores rufando depois, entra um cara das Lojas Marabraz, anunciando que daria de presente a eles muitos móveis. Muitos. Mesmo.


Aí não teve jeito. Eu chorava de rir. A médica havia acabado de explicar que quem tem essa doença deve sentar-se em um sofá confortável e deve dormir num colchão confortável, já que qualquer lesão, por menor que seja, faz nascer outro osso. Mesmo uma torçãozinha mínima. Imagine Wellington tentando sair do Conjunto Bartira Dois e Três Lugares que o Seu Marabraz resolveu mandar. Seu Marabraz devia ser indiciado por homicídio doloso. Isso não se faz. O menino já é todo torto e o cara ainda quer que ele durma numa cama das Lojas Marabraz com um colchão das Lojas Marabraz. Cristo, que maldade.


O coitado do Wellington ficou meio desapontado, era visível. Ainda mais quando o tiozinho representando o Seu Marabraz anunciou que ele ainda ganharia um relógio de parede do Zezé de Camargo e Luciano. Que palhaçada. Ok, os maxilares de Wellington estão travados e isso o impede de sorrir - além de mastigar, falar direito, entre outras coisas. Mas posso jurar que depois da notícia do relógio Wellington ficou sério. Parou de *tentar* rir. Foi engraçadíssimo.


Mas ainda teve mais: Seu Marabraz mandou uma cama de casal, sim, só que para Wellington. A mãe terá que continuar dormindo numa cama de solteiro. Foda-se que esse era o sonho dela e ela é cega, Seu Marabraz só mandou uma cama de casal e não era para ela. Seu Marabraz é um pão duro dos infernos. E a *antes elogiada* incompetente produção do programa nem para mudar a fala do tiozinho na última hora e mandar ele dizer que a cama de casal era para a mãe, para realizar o sonho dela e bla bla bla. A tia ficou com a maior cara de tacho. Hilário.



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Tenho quase certeza que eles vão botar fogo nos móveis do Seu Marabraz.