6.03.2004

Police and thieves in the streets


O coisa-ruim deve estar de férias.


...



O ônibus em que eu estava ontem foi assaltado. Eu estava em pé, claro, e espremidinha. Entraram três moleques, não deviam ter mais que dezesseis anos. Magrinhos. Cara de doentes. O ônibus fechou a porta e começou a andar, e um deles falou (falou, não gritou nem deu chilique nem nada): todo mundo pega a carteira e o celular.

Ai, pensei. Agora vai.

Aí que eu vi que um deles já estava com uma arma (podia ser de brinquedo, mas eu que não ia lá pertinho para ver se era mesmo) apontada para a cabeça do motorista, e o outro já falava baixinho no ouvido de uma velhinha, segurando alguma coisa que parecia um canivete. A velhinha começou a chorar, e eu nunca tive tanta pena de alguém na minha vida.

O da arma avisou que se ele (o motorista) abrisse a porta (traseira) ele atiraria. Cara, olha que absurdo: o trânsito estava totalmete parado e estávamos bem em frente a uma dessas bases móveis da polícia militar (alô, Seu Alckmin!), mas eles não estavam com um pingo de medo. Não pareciam aquele tipo que assalta no desespero por causa de pedra; eles estavam calmos e sabiam o que estavam fazendo. Aliás, pareciam já ter feito aquilo milhares de vezes.

O da velhinha pulou a catraca e começou a pressionar as pessoas para darem as carteiras e os celulares. Eu já estava visualizando a cena, quando ele chegasse em mim. Moço, eu juro que não tenho nenhum dinheiro... acabei de dar meu último passe...e perdi meu celular... o cara ia enfiar aquele canivete em mim de uma tal maneira...

Nessa altura, os outros dois já tinham pulado a catraca, e estavam recolhendo as carteiras calmamente do povo que estava mais na frente.

O motorista não se fez de rogado e abriu a porta traseira.

Depois disso, nem posso dizer que vi muita coisa. Fui jogada para fora do ônibus, uma menina deu um grito, todo mundo saiu correndo. Nem sei como não fui pisoteada. Me misturei na multidão da calçada, e andei, andei, andei. Lembra que eu só tinha um passe? Então, andei até em casa. Uns cinco quilômetros.

Viu como era só inferno astral?

Daqui pra frente minha sorte volta.

Ou não.