I was 'round when Jesus Christ had his moment of doubt and pain
Pois é.
Não era fim de inferno astral porra nenhuma, era o coisa-ruim que tinha ido para a Praia Grande no feriado. Sabe como é, Corpus Christi, anjo caído, essa briga antiga. Todo mundo celebrando um, o outro ficou meio enciumado e se mandou. As pessoas andavam ocupadas demais rezando e se esqueciam de mandar o vizinho, o chefe, o motorista do taxi e o tiozinho da banca de jornal para o inferno. O coisa-ruim ficou chateado, foi viajar por uns dias, espairecer.
Pois é.
O feriado passou e eis que coisa-ruim volta com força total. Logo, meu azar também.
Pois é.
Tudo andava bem demais, um cliente que não nos procurava há mais de um ano voltou e com um serviço grande, um outro cliente começou a nos mandar um monte de coisas para fazer, até Max andou nos conseguindo trabalho, estávamos começando a pagar as contas e eu já até cogitava tirar meu nome do SPC. Eu andava até sem tempo de escrever. Yeah. Estava tudo muito bom, boooooom, tudo muito bem, beeeeeem.
Pois é.
De repente, sem mais aquela, o coisa-ruim resolve foder a gente (de novo) e joga um tonel de merda no nosso ventilador. Não que tenhamos um ventilador, é só força de expressão. Vendemos o ventilador hoje, junto com a vassoura feiticeira e o galão de água para pagar a conta de luz atrasada. Mas isso não vem ao caso. O que realmente importa é que semana que vem teremos que, provavelmente, vender a alma.
Pois é.
Sabe o que aconteceu conosco? Nosso servidor pegou fogo. Servidor, sabe? Aquele computadorzinho que geralmente guarda os arquivos das pessoas. PEGOU FOGO. Não me pergunte como isso aconteceu. Eu não sei. Só sei que todos os nossos arquivos, TODOS OS NOSSOS ARQUIVOS, anos de trabalho, noites mal dormidas, toneladas de idéias, discussões, inspirações, brigas e trabalhos bons e ruins foram pro beleléu.
Pois é.
Não, nós não tínhamos backup dos arquivos. Até tínhamos, mas estavam nuns discos meio mofados, e eram coisa antiga. Não temos nada recente, porque simplesmente não nos preocupávamos com isso. É, simples assim, ninguém nunca pensou que essa porra ia pegar fogo. Já tínhamos até pensado, eu e o Adriano, que um dia isso fosse dar pau e teríamos que pagar um milhão de dólares para uma empresa recuperar os arquivos. Rimos a valer com essa hipótese, porque isso nunca iria acontecer conosco.
Pois é, aconteceu.
E pior. A porra do servidor PEGOU FOGO. Queria mesmo saber se existe alguma empresa recuperadora de dados que recupere os dados do meu servidor que pegou fogo. Eu daria muito mais que um milhão de dólares para essas pessoas. Eu e o Adriano daríamos tudo o que temos para essas pessoas. Faríamos qualquer coisa. Costuraríamos os botões que caíram de suas roupas e levaríamos seus filhos na escola e faríamos compras no supermercado e lavaríamos seus banheiros e colocaríamos seu lixo para fora até o fim dos dias se elas, as pessoas da empresa recuperadora de dados, recuperassem nossos dados, do servidor que pegou fogo. Mas desconfiamos, eu e o Adriano, que essas pessoas não existem.
Pois é.
E o pior é que nem vi como aconteceu. Nem eu nem o Adriano. Estávamos trabalhando normalmente, e de repente não conseguíamos mais acessar a rede. Adriano, sua máquina enxerga o servidor? Não. Nem a minha. Ih, deu pau... daqui a pouco eu vou lá e reinicio, tou mandando um e-mail. Ok, não tô com pressa. Tá. Adriano, você tá sentindo cheiro de queimado? Um pouco. Será que é fogueira de festa junina? Tomara, adoro pinhão assado em fogueira de festa junina. Não acho uma boa idéia fazer fogueira no oitavo andar. Mas pinhão é bom. É mesmo, eu também acho. Vamos fazer uma fogueira? Aqui, no oitavo andar? É, a gente queima aquelas caixas de papelão ali. Mas aí o gosto do pinhão pode ficar esquisito. Eu não ligo. Nem eu. Então vamos fazer. Tá. Tá. Adriano, tem um foguinho subindo ali atrás do servidor. Como assim um foguinho? Olha lá. CARALHOOOOOO, O SERVIDOR TÁ PEGANDO FOGO!!!
Pois é, foi assim.
Não sabemos o que aconteceu e nem queremos saber. Apagamos o fogo com o extintor do corredor, mandamos os estagiários para casa, fechamos tudo e fomos embora. Amanhã não iremos trabalhar, vamos tomar sorvete no Parque do Ibirapuera. Combinamos de pensar no que fazer só daqui a uma semana. Até lá, vou tomar um banho de sal grosso. Um não, muitos. Vou lavar minhas roupas com sal grosso, vou lavar meu cabelo com sal grosso, vou escovar os dentes com sal grosso. E vou beber água com sal grosso para dar um banho por dentro também.
Isso só pode ser macumba.
Pois é.
Não era fim de inferno astral porra nenhuma, era o coisa-ruim que tinha ido para a Praia Grande no feriado. Sabe como é, Corpus Christi, anjo caído, essa briga antiga. Todo mundo celebrando um, o outro ficou meio enciumado e se mandou. As pessoas andavam ocupadas demais rezando e se esqueciam de mandar o vizinho, o chefe, o motorista do taxi e o tiozinho da banca de jornal para o inferno. O coisa-ruim ficou chateado, foi viajar por uns dias, espairecer.
Pois é.
O feriado passou e eis que coisa-ruim volta com força total. Logo, meu azar também.
Pois é.
Tudo andava bem demais, um cliente que não nos procurava há mais de um ano voltou e com um serviço grande, um outro cliente começou a nos mandar um monte de coisas para fazer, até Max andou nos conseguindo trabalho, estávamos começando a pagar as contas e eu já até cogitava tirar meu nome do SPC. Eu andava até sem tempo de escrever. Yeah. Estava tudo muito bom, boooooom, tudo muito bem, beeeeeem.
Pois é.
De repente, sem mais aquela, o coisa-ruim resolve foder a gente (de novo) e joga um tonel de merda no nosso ventilador. Não que tenhamos um ventilador, é só força de expressão. Vendemos o ventilador hoje, junto com a vassoura feiticeira e o galão de água para pagar a conta de luz atrasada. Mas isso não vem ao caso. O que realmente importa é que semana que vem teremos que, provavelmente, vender a alma.
Pois é.
Sabe o que aconteceu conosco? Nosso servidor pegou fogo. Servidor, sabe? Aquele computadorzinho que geralmente guarda os arquivos das pessoas. PEGOU FOGO. Não me pergunte como isso aconteceu. Eu não sei. Só sei que todos os nossos arquivos, TODOS OS NOSSOS ARQUIVOS, anos de trabalho, noites mal dormidas, toneladas de idéias, discussões, inspirações, brigas e trabalhos bons e ruins foram pro beleléu.
Pois é.
Não, nós não tínhamos backup dos arquivos. Até tínhamos, mas estavam nuns discos meio mofados, e eram coisa antiga. Não temos nada recente, porque simplesmente não nos preocupávamos com isso. É, simples assim, ninguém nunca pensou que essa porra ia pegar fogo. Já tínhamos até pensado, eu e o Adriano, que um dia isso fosse dar pau e teríamos que pagar um milhão de dólares para uma empresa recuperar os arquivos. Rimos a valer com essa hipótese, porque isso nunca iria acontecer conosco.
Pois é, aconteceu.
E pior. A porra do servidor PEGOU FOGO. Queria mesmo saber se existe alguma empresa recuperadora de dados que recupere os dados do meu servidor que pegou fogo. Eu daria muito mais que um milhão de dólares para essas pessoas. Eu e o Adriano daríamos tudo o que temos para essas pessoas. Faríamos qualquer coisa. Costuraríamos os botões que caíram de suas roupas e levaríamos seus filhos na escola e faríamos compras no supermercado e lavaríamos seus banheiros e colocaríamos seu lixo para fora até o fim dos dias se elas, as pessoas da empresa recuperadora de dados, recuperassem nossos dados, do servidor que pegou fogo. Mas desconfiamos, eu e o Adriano, que essas pessoas não existem.
Pois é.
E o pior é que nem vi como aconteceu. Nem eu nem o Adriano. Estávamos trabalhando normalmente, e de repente não conseguíamos mais acessar a rede. Adriano, sua máquina enxerga o servidor? Não. Nem a minha. Ih, deu pau... daqui a pouco eu vou lá e reinicio, tou mandando um e-mail. Ok, não tô com pressa. Tá. Adriano, você tá sentindo cheiro de queimado? Um pouco. Será que é fogueira de festa junina? Tomara, adoro pinhão assado em fogueira de festa junina. Não acho uma boa idéia fazer fogueira no oitavo andar. Mas pinhão é bom. É mesmo, eu também acho. Vamos fazer uma fogueira? Aqui, no oitavo andar? É, a gente queima aquelas caixas de papelão ali. Mas aí o gosto do pinhão pode ficar esquisito. Eu não ligo. Nem eu. Então vamos fazer. Tá. Tá. Adriano, tem um foguinho subindo ali atrás do servidor. Como assim um foguinho? Olha lá. CARALHOOOOOO, O SERVIDOR TÁ PEGANDO FOGO!!!
Pois é, foi assim.
Não sabemos o que aconteceu e nem queremos saber. Apagamos o fogo com o extintor do corredor, mandamos os estagiários para casa, fechamos tudo e fomos embora. Amanhã não iremos trabalhar, vamos tomar sorvete no Parque do Ibirapuera. Combinamos de pensar no que fazer só daqui a uma semana. Até lá, vou tomar um banho de sal grosso. Um não, muitos. Vou lavar minhas roupas com sal grosso, vou lavar meu cabelo com sal grosso, vou escovar os dentes com sal grosso. E vou beber água com sal grosso para dar um banho por dentro também.
Isso só pode ser macumba.


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