The good, the bad and the ugly
Sabe o Bar do Meio? Aquele ali na Cardeal? Então, agora chama Bar Bante. Fala sério.
...
Eu e meu irmão tínhamos uma brincadeira (quanto eu tinha mais ou menos dez anos e ele, uns oito) de inventar nomes para os bares. Inventávamos o nome e a história. Saía um monte de coisa engraçada, mas não me lembro de quase nada... só alguns que eram bem legais mesmo: Bar Ganha (que também poderia ser um cassino), Bar Alho (que também poderia ser um mini-mercado) e Bar Bicha (que também poderia ser uma boate gay). Claro que pensamos no Bar Bante, porque tínhamos por volta de DEZ ANOS DE IDADE. Isso é nome de bar? E não, não é engraçadinho. É patético. E os novos donos reformaram tudo – de novo, depois do Betão o Bar do Meio já foi alugado umas quinze vezes, e todo mundo que aluga reforma tudo, fica um mês e fecha. Como diz minha mami, deve ter uma caveira de burro enterrada ali em algum lugar. Gastaram uma grana, os novos donos. Colocaram mesas novas e com assentos coloridos e fofinhos, coisas esquisitas que eram para ser bonitas nas luminárias, colocaram mesas com assentos coloridos e fofinhos na parte superior do sobradinho, está tudo reformado, limpo, pomposo, novo em folha. Quando fui ao banheiro até levei um susto: você acende a luz e começa um barulhinho. Pensei que ia ser sugada pela privada. Até eu perceber que era o exaustor (sério, tem exaustor no banheiro do Bar do Meio – então nem precisa perguntar se tinha papel higiênico), a moça-garçonete já tinha vindo ver o que estava acontecendo e por que eu acendia e apagava a luz toda hora. Tudo tão lindo e limpinho, e os caras me põe o nome do boteco de Bar Bante. Fala sério.
Mas nem era sobre isso que eu queria falar. Vamos ao manifesto.
Mais uma da série: Coisas que eu detesto.
EU DETESTO CIGARRO DE CRAVO. Eu queria mesmo era saber por que as pessoas insistem em fumar cigarros de cravo. Meninas novinhas na pré-adolescência eu até entendo, elas devem achar essa merda cheirosinha e pensam que vão conseguir enganar as mamães quando chegarem em casa da danceteria e as mamães perguntarem: filha, você anda fumando? Não, mãe. Mas eu tô sentindo cheiro de cigarro. Tá não, mãe, cheira aqui minha blusa, isso é cheiro de cravo. Cravo? Isso é cheiro de cigarro...
Blah.
Aí estávamos eu e Max lá no Bar do Meio (recuso-me a chamar de Bar Bante, é Bar do Meio e pronto) e estava passando um jogo, não sei de quem. Na mesa do lado tinha uns oito marmanjos, TODOS eles fumando cigarro de cravo. O bar inteiro ficou empesteado. Eca. Minhas roupas ficaram com cheiro de cravo, meu cabelo ficou com cheiro de cravo, a cerveja que eu estava tomando ficou com gosto de cravo, o frango à passarinho que estávamos comendo ficou com gosto de cravo. Que feio, meninos. Cigarro de cravo é coisa de viado. Quer fumar, sua bicha? Fuma óliúde sem filtro. Minister. Derby. Amigo. T. Qualquer coisa, menos essa bosta. Macho que é macho fuma, no mínimo, cigarro de filtro vermelho. Cigarrinhos coloridos aromáticos são coisa de boiola. Dá um Free One de caixinha? Viado. Dá um daquele cigarrinho de cravo ali? Viado. Ah, mas não tem light? Viado. Baitola. Assuma que você está fazendo merda e quer morrer de câncer do pulmão. Por isso falta homem no mercado. Oito marmanjos numa mesa, e todos viados. Blah.
Tá, eu estou de mau humor, mas hoje é segunda feira. Reservo-me o direito.
Sabe o Bar do Meio? Aquele ali na Cardeal? Então, agora chama Bar Bante. Fala sério.
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Eu e meu irmão tínhamos uma brincadeira (quanto eu tinha mais ou menos dez anos e ele, uns oito) de inventar nomes para os bares. Inventávamos o nome e a história. Saía um monte de coisa engraçada, mas não me lembro de quase nada... só alguns que eram bem legais mesmo: Bar Ganha (que também poderia ser um cassino), Bar Alho (que também poderia ser um mini-mercado) e Bar Bicha (que também poderia ser uma boate gay). Claro que pensamos no Bar Bante, porque tínhamos por volta de DEZ ANOS DE IDADE. Isso é nome de bar? E não, não é engraçadinho. É patético. E os novos donos reformaram tudo – de novo, depois do Betão o Bar do Meio já foi alugado umas quinze vezes, e todo mundo que aluga reforma tudo, fica um mês e fecha. Como diz minha mami, deve ter uma caveira de burro enterrada ali em algum lugar. Gastaram uma grana, os novos donos. Colocaram mesas novas e com assentos coloridos e fofinhos, coisas esquisitas que eram para ser bonitas nas luminárias, colocaram mesas com assentos coloridos e fofinhos na parte superior do sobradinho, está tudo reformado, limpo, pomposo, novo em folha. Quando fui ao banheiro até levei um susto: você acende a luz e começa um barulhinho. Pensei que ia ser sugada pela privada. Até eu perceber que era o exaustor (sério, tem exaustor no banheiro do Bar do Meio – então nem precisa perguntar se tinha papel higiênico), a moça-garçonete já tinha vindo ver o que estava acontecendo e por que eu acendia e apagava a luz toda hora. Tudo tão lindo e limpinho, e os caras me põe o nome do boteco de Bar Bante. Fala sério.
Mas nem era sobre isso que eu queria falar. Vamos ao manifesto.
Mais uma da série: Coisas que eu detesto.
EU DETESTO CIGARRO DE CRAVO. Eu queria mesmo era saber por que as pessoas insistem em fumar cigarros de cravo. Meninas novinhas na pré-adolescência eu até entendo, elas devem achar essa merda cheirosinha e pensam que vão conseguir enganar as mamães quando chegarem em casa da danceteria e as mamães perguntarem: filha, você anda fumando? Não, mãe. Mas eu tô sentindo cheiro de cigarro. Tá não, mãe, cheira aqui minha blusa, isso é cheiro de cravo. Cravo? Isso é cheiro de cigarro...
Blah.
Aí estávamos eu e Max lá no Bar do Meio (recuso-me a chamar de Bar Bante, é Bar do Meio e pronto) e estava passando um jogo, não sei de quem. Na mesa do lado tinha uns oito marmanjos, TODOS eles fumando cigarro de cravo. O bar inteiro ficou empesteado. Eca. Minhas roupas ficaram com cheiro de cravo, meu cabelo ficou com cheiro de cravo, a cerveja que eu estava tomando ficou com gosto de cravo, o frango à passarinho que estávamos comendo ficou com gosto de cravo. Que feio, meninos. Cigarro de cravo é coisa de viado. Quer fumar, sua bicha? Fuma óliúde sem filtro. Minister. Derby. Amigo. T. Qualquer coisa, menos essa bosta. Macho que é macho fuma, no mínimo, cigarro de filtro vermelho. Cigarrinhos coloridos aromáticos são coisa de boiola. Dá um Free One de caixinha? Viado. Dá um daquele cigarrinho de cravo ali? Viado. Ah, mas não tem light? Viado. Baitola. Assuma que você está fazendo merda e quer morrer de câncer do pulmão. Por isso falta homem no mercado. Oito marmanjos numa mesa, e todos viados. Blah.
Tá, eu estou de mau humor, mas hoje é segunda feira. Reservo-me o direito.


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