Don't turn your back on me, I won't be ignored
Detesto gente que faz gênero. Detesto.
Dia desses estava eu conversando com um grupo de amigos novos na lanchonete que serve o Melhor PF do Sistema Solar, logo depois do almoço. Estávamos falando sobre acidentes e cicatrizes. Ô assuntozinho mórbido para o povo cheio de feijoada no bucho, mas enfim...
Todo mundo tem uma história para contar e uma cicatriz para mostrar.
Eu não tenho, porque nunca sofri um acidente que deixasse uma cicatriz, tirando uma no dedo médio, e só porque um imbecil fez o favor de bater a porta do carro antes que eu fosse capaz de apertar o pininho para travar a porta. Meu dedo médio é torto até hoje. E por isso mesmo eu adoro fazer sinais obscenos no trânsito, porque além de mal-educada tenho o dedo torto.
Anyway, como estávamos tratando de acidentes seriíssimos, daqueles em que carretas de soja passam por cima de carros populares com famílias inteiras dentro, achei melhor ficar na minha. Fiquei com vergonha de mostrar o dedo torto. Minha função no papo ficou sendo basicamente a de dar apoio e perguntar de tempos em tempos: “e aí, o que aconteceu?”.
Todos na mesa arregaçaram mangas, abriram botões e zíperes, um até tirou o sapato. Pronto, acabou o assunto, todo mundo já apagando os cigarros e se preparando para subir e enfrentar o restante da labuta diária, e eis que um desses Zé das Couves que faz gênero de doidão, sai de lá do fundo da lanchonete e aproxima-se lentamente, em silêncio, e fica em pé, parado, do nosso lado. Parecia comercial de cartão de crédito. O cara lá, em pé, em silêncio, e todo mundo olhando para ele. Um mais esquentadinho na nossa mesa perguntou, seco: “Que foi?”
E o cara lá parado. Parecia o Tropeço da Família Adams.
Eu já ia começar a procurar a câmera escondida, quando o esquisito levanta bem devagar os óculos escuros e mostra os olhos, ou melhor, um olho. O outro não tinha. No lugar onde deveria estar o olho esquerdo, era um emaranhado de cicatrizes, uma para cada lado. Credo, que nojo. O cara tinha um olho só.
Todos na mesa ficaram constrangidos, menos eu, porque não tenho dessas coisas. Perguntei, não sem antes mandar um eeeeeeeeca! em alto e bom som: o que aconteceu aí?
O cara simplesmente colocou os óculos de volta e saiu andando!
- Ôôôôôôôô muito loco, volta aqui e conta o que aconteceu com seu olho!
E o caolho, sem nem virar a cabeça: – Não.
Ah, fala sério. O cara sai de onde está, se mete na conversa alheia, faz maior teatro, mostra para todo mundo uma puta coisa horrenda e não conta como aconteceu? Não quisesse que ninguém perguntasse, não mostrasse. Puro gênero. Só queria aparecer.
- Seja lá o que for, mereceu. Freak.
O caolho ficou puto. Praguejou. Fez ameaças de morte. Disse um monte de abobrinha. Sorte a minha que tinha uns cinco marmanjos comigo, senão o cara tinha me dado umas porradas. E os meninos tiveram ainda que me escoltar até minha sala, porque o doido ainda ficou me perseguindo.
Qualquer dia desses ainda levo um tiro.
Detesto gente que faz gênero. Detesto.
Detesto gente que faz gênero. Detesto.
Dia desses estava eu conversando com um grupo de amigos novos na lanchonete que serve o Melhor PF do Sistema Solar, logo depois do almoço. Estávamos falando sobre acidentes e cicatrizes. Ô assuntozinho mórbido para o povo cheio de feijoada no bucho, mas enfim...
Todo mundo tem uma história para contar e uma cicatriz para mostrar.
Eu não tenho, porque nunca sofri um acidente que deixasse uma cicatriz, tirando uma no dedo médio, e só porque um imbecil fez o favor de bater a porta do carro antes que eu fosse capaz de apertar o pininho para travar a porta. Meu dedo médio é torto até hoje. E por isso mesmo eu adoro fazer sinais obscenos no trânsito, porque além de mal-educada tenho o dedo torto.
Anyway, como estávamos tratando de acidentes seriíssimos, daqueles em que carretas de soja passam por cima de carros populares com famílias inteiras dentro, achei melhor ficar na minha. Fiquei com vergonha de mostrar o dedo torto. Minha função no papo ficou sendo basicamente a de dar apoio e perguntar de tempos em tempos: “e aí, o que aconteceu?”.
Todos na mesa arregaçaram mangas, abriram botões e zíperes, um até tirou o sapato. Pronto, acabou o assunto, todo mundo já apagando os cigarros e se preparando para subir e enfrentar o restante da labuta diária, e eis que um desses Zé das Couves que faz gênero de doidão, sai de lá do fundo da lanchonete e aproxima-se lentamente, em silêncio, e fica em pé, parado, do nosso lado. Parecia comercial de cartão de crédito. O cara lá, em pé, em silêncio, e todo mundo olhando para ele. Um mais esquentadinho na nossa mesa perguntou, seco: “Que foi?”
E o cara lá parado. Parecia o Tropeço da Família Adams.
Eu já ia começar a procurar a câmera escondida, quando o esquisito levanta bem devagar os óculos escuros e mostra os olhos, ou melhor, um olho. O outro não tinha. No lugar onde deveria estar o olho esquerdo, era um emaranhado de cicatrizes, uma para cada lado. Credo, que nojo. O cara tinha um olho só.
Todos na mesa ficaram constrangidos, menos eu, porque não tenho dessas coisas. Perguntei, não sem antes mandar um eeeeeeeeca! em alto e bom som: o que aconteceu aí?
O cara simplesmente colocou os óculos de volta e saiu andando!
- Ôôôôôôôô muito loco, volta aqui e conta o que aconteceu com seu olho!
E o caolho, sem nem virar a cabeça: – Não.
Ah, fala sério. O cara sai de onde está, se mete na conversa alheia, faz maior teatro, mostra para todo mundo uma puta coisa horrenda e não conta como aconteceu? Não quisesse que ninguém perguntasse, não mostrasse. Puro gênero. Só queria aparecer.
- Seja lá o que for, mereceu. Freak.
O caolho ficou puto. Praguejou. Fez ameaças de morte. Disse um monte de abobrinha. Sorte a minha que tinha uns cinco marmanjos comigo, senão o cara tinha me dado umas porradas. E os meninos tiveram ainda que me escoltar até minha sala, porque o doido ainda ficou me perseguindo.
Qualquer dia desses ainda levo um tiro.
Detesto gente que faz gênero. Detesto.


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