5.12.2004

Your circuit's dead, there's something wrong… can you hear me, Major Tom?

Sabe aqueles dias em que você literalmente sai do corpo, e vê tudo de cima?
Hoje estou num desses dias. Eu não acredito nas coisas que acontecem comigo. Parece que é com outra pessoa.

A seguradora recusou-se a pagar o conserto do meu carro. Localizaram até o tiozinho que viu a batida, falaram com ele, falaram com os polícias, falaram com a putaqueopariu, todo mundo confirmou a história, mas eles recusaram-se a pagar. Disseram que o negócio todo está muito mal contado e que eu provavelmente quero dar um golpe no seguro.

Sim, Sr. Moço do Seguro, é exatamente isso que eu estou querendo fazer.

Um dia, mais precisamente num sábado à noite, resolvi que não iria sair para beber com meu namorado e nossos amigos. Não, isso não é divertido. Sabe o que é divertido, Sr. Moço do Seguro? Bater o carro. Então, resolvi que ao invés de encher a cara e cantar músicas bem desafinadinha para fazer todo mundo rir, eu iria pegar a chave do meu carro, bem no dia em que eu tinha mandado lavar, posicioná-lo no meio da avenida, mirar bem num carro parado ou num muro ou num poste ou onde quer que o Sr. queira, Sr. Moço do Seguro, engatar uma ré, acelerar como nunca na minha vida e acabar com a traseira do meu pobre carrinho. Bater de frente não tem graça, tem que ser de ré. Yeeeeeeees, que coisa mais legal! Como eu nunca havia pensado nisso?

E tem mais, Moço do Seguro.

Quer saber o que mais eu fiz? Cheguei num tiozinho que ia passando na rua, e em troca de alguns favores sexuais fiz com que ele decorasse uma história que eu já havia bolado antes. E falei para ele: “Tio, se o senhor contar essa história direitinho para o Sr. Moço do Seguro, e confirmar quantas vezes forem necessárias, transarei com o senhor até o fim dos tempos, todos os dias. Mas tem que contar direitinho, hein?”. Sabe o que aconteceu, Sr. Moço do Seguro? O tiozinho concordou.

Mas não parei por aí. Minhas idéias diabólicas para fraudar o seguro são extremamente profusas.

Cobri todas as falhas.

Subornei a polícia, para que eles fizessem um B.O. sem que nada tivesse acontecido.
Subornei o segurança do puteiro em frente ao local do acidente, para que eles confirmassem a história do tiozinho.
Subornei o porteiro do meu prédio, para que ele não contasse que eu havia saído alguns minutos antes com a cara coberta com aquela touca de lã do PCC, e voltado correndo antes que a polícia chegasse.

Eu tenho muita grana para gastar, então posso subornar muito mais pessoas que isso. Minha conta bancária garantiu-me o crime perfeito, mas eu não contava com a esperteza do Sr. Moço do Seguro, que percebeu tudo. Merda. Eu estava quase lá.

Então, é isso. Fui apanhada. E mereço ser punida.

Agora, ao invés de desembolsar os R$ 1.500,00 da franquia (uma pechincha, não é mesmo?), terei que desembolsar R$ 5.800,00, valor do conserto. Mas isso não será problema para mim. Tenho milhões de dólares na Ilha de Jersey, posso pagar isso e muito mais. Opa, peraí, esse não sou eu... melhor continuar olhando daqui de cima. A realidade anda ruim demais.

For here
Am I sitting in a tin can
Far above the world
Planet Earth is blue
And there's nothing I can do