5.27.2004

Live and let die





Não tenho mais tanta certeza que eu quero ser mulherzinha e mimada. Não aguento mais esse povo me cercando. Credo, sai daqui. Agradeço do fundo do meu coração a carona até lá em cima na Teodoro todos os dias (se bem que nem faz muita diferença, tenho que pegar o ônibus do mesmo jeito e às vezes até demora mais, mas agradeço), mas não precisa ir até o ponto comigo e ficar esperando o ônibus comigo. Sai de perto. Agradeço também a preocupação de eu ficar sozinha no escritório, mas, querido, já passou pela sua cabecinha que eu realmente QUEIRA ficar sozinha no escritório? Não ando tendo muitas chances de ficar sozinha, e eu preciso ficar sozinha às vezes. Então, dá licença que eu preciso respirar. O Max que é o Max não faz isso, por que vocês não me deixam em paz então?

E eis que no exato momento em que escrevo isso, o perseguidor implacável começa:

- Você já tá indo?
- Vou ficar mais um pouco, o trânsito tá feio.
- Até que horas?
- Sei lá, umas oito.
- É que eu tenho aula seis e meia...
- Então você já deveria estar lá.
- Eu sei.
- Ué, vai pra aula então!
- Tô te esperando.
- Pra quê?
- Pra carona.
- Não precisa, pode ir. Não vai perder a aula por minha causa.
- Mas tá frio... eu espero, vai. Acho que ainda posso faltar uma vez nessa aula.
- Não espera, não, vai pra aula. Não precisa me dar carona.
- Mas eu quero.
- Mas eu não quero.
- Tá chovendo também...
- Eu não vou embora, tá? Vou dormir aqui!
- O Max sabe?
- Ai, meu São Caralho...
- Tá bom, fui, tchau...
- ...


Das duas uma: ou o cara quer me comer, ou acha tem alguma dívida paternal pendente comigo de alguma encarnação passada.

Acho que ele quer me comer.