Live and let die
Não tenho mais tanta certeza que eu quero ser mulherzinha e mimada. Não aguento mais esse povo me cercando. Credo, sai daqui. Agradeço do fundo do meu coração a carona até lá em cima na Teodoro todos os dias (se bem que nem faz muita diferença, tenho que pegar o ônibus do mesmo jeito e às vezes até demora mais, mas agradeço), mas não precisa ir até o ponto comigo e ficar esperando o ônibus comigo. Sai de perto. Agradeço também a preocupação de eu ficar sozinha no escritório, mas, querido, já passou pela sua cabecinha que eu realmente QUEIRA ficar sozinha no escritório? Não ando tendo muitas chances de ficar sozinha, e eu preciso ficar sozinha às vezes. Então, dá licença que eu preciso respirar. O Max que é o Max não faz isso, por que vocês não me deixam em paz então?
E eis que no exato momento em que escrevo isso, o perseguidor implacável começa:
- Você já tá indo?
- Vou ficar mais um pouco, o trânsito tá feio.
- Até que horas?
- Sei lá, umas oito.
- É que eu tenho aula seis e meia...
- Então você já deveria estar lá.
- Eu sei.
- Ué, vai pra aula então!
- Tô te esperando.
- Pra quê?
- Pra carona.
- Não precisa, pode ir. Não vai perder a aula por minha causa.
- Mas tá frio... eu espero, vai. Acho que ainda posso faltar uma vez nessa aula.
- Não espera, não, vai pra aula. Não precisa me dar carona.
- Mas eu quero.
- Mas eu não quero.
- Tá chovendo também...
- Eu não vou embora, tá? Vou dormir aqui!
- O Max sabe?
- Ai, meu São Caralho...
- Tá bom, fui, tchau...
- ...
Das duas uma: ou o cara quer me comer, ou acha tem alguma dívida paternal pendente comigo de alguma encarnação passada.
Acho que ele quer me comer.
Não tenho mais tanta certeza que eu quero ser mulherzinha e mimada. Não aguento mais esse povo me cercando. Credo, sai daqui. Agradeço do fundo do meu coração a carona até lá em cima na Teodoro todos os dias (se bem que nem faz muita diferença, tenho que pegar o ônibus do mesmo jeito e às vezes até demora mais, mas agradeço), mas não precisa ir até o ponto comigo e ficar esperando o ônibus comigo. Sai de perto. Agradeço também a preocupação de eu ficar sozinha no escritório, mas, querido, já passou pela sua cabecinha que eu realmente QUEIRA ficar sozinha no escritório? Não ando tendo muitas chances de ficar sozinha, e eu preciso ficar sozinha às vezes. Então, dá licença que eu preciso respirar. O Max que é o Max não faz isso, por que vocês não me deixam em paz então?
E eis que no exato momento em que escrevo isso, o perseguidor implacável começa:
- Você já tá indo?
- Vou ficar mais um pouco, o trânsito tá feio.
- Até que horas?
- Sei lá, umas oito.
- É que eu tenho aula seis e meia...
- Então você já deveria estar lá.
- Eu sei.
- Ué, vai pra aula então!
- Tô te esperando.
- Pra quê?
- Pra carona.
- Não precisa, pode ir. Não vai perder a aula por minha causa.
- Mas tá frio... eu espero, vai. Acho que ainda posso faltar uma vez nessa aula.
- Não espera, não, vai pra aula. Não precisa me dar carona.
- Mas eu quero.
- Mas eu não quero.
- Tá chovendo também...
- Eu não vou embora, tá? Vou dormir aqui!
- O Max sabe?
- Ai, meu São Caralho...
- Tá bom, fui, tchau...
- ...
Das duas uma: ou o cara quer me comer, ou acha tem alguma dívida paternal pendente comigo de alguma encarnação passada.
Acho que ele quer me comer.


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