Hey, he said, grab your things, I’ve come to take you home
Cara, era isso. Era isso desde o começo, sempre foi isso. Nunca foi outra coisa, eu menti para mim mesma, me enganei, me iludi, me confundi.
Eu achei que queria ser outra pessoa, aquela lá do filme, sabe? Achei que queria ser um mulherão, tomar as rédeas, botar pra foder. Queria ser aquela mártir da novela, aquela aflita da música, aquela maldita do poema, aquela desgraçada ali da esquina. É tão complicado e ao mesmo tempo tão simples, eu sei que não era a coitada ali, mas queria ser, porque eu queria dar um jeito em tudo, queria resolver os problemas, queria olhar para trás e contemplar um mar de realizações.
Fui criada assim. Merda.
E talvez seja por isso que eu me enfie em tanta furada, em tanto projeto, em tanta balada, me meta com tantas pessoas, me envolva, me jogue, mergulhe e afunde, afunde, afunde, e quando olho lá do fundo mal vejo a superfície, e o esforço para nadar de volta é tão grande, cada passo é tão suado, que no fim eu já nem lembro como fui parar ali.
De repente, um insight. Tudo ficou claro. Absurdamente claro. É isso, é isso!
Eu quero, preciso de colo. Não quero ser mulherão, quero ser mulherzinha. Quero ser mimada. Quero não ter que trabalhar vinte e cinco horas por dia, quero não ter que pagar todas as contas do mundo, quero não ser a tábua de salvação. Quero ser fraca, quero chorar quando estou triste, quero dizer que não aguento mais e passar o dia trancada no quarto. Quero ficar em casa, cuidar das minhas plantas, dos meus gatos, escrever um monte de histórias bem fantásticas para os meus primos e um monte de histórias bem arrepiantes para o Max. Quero ir nadar no clube e em seguida encher a cara de cerveja e peixe frito, devidamente acompanhados de um macinho de cigarros. Quero ser amiga só dos tiozinhos e das tiazinhas, não quero ficar falando com gente que nada viveu e acha que tudo sabe. Quero comer comida saudável feita na hora. Quero ter tempo de olhar a chuva, quero acordar tarde no frio.
Chega, chega, chega.
E veio a solução, simples, fácil, a solução para todos os meus problemas. Vou me mandar daqui. Fechar a empresa, a casa, a cara e a vida. Pára tudo, umdoistrês, começaaaaaaaando novamente. Dessa vez, sério, parando de querer ser outra coisa e admitindo o que sou, por mais doído que seja. Caralho, essa sou eu.
Vou-me embora para Pasárgada... ops, para Manaus. E tenho dito.
Cara, era isso. Era isso desde o começo, sempre foi isso. Nunca foi outra coisa, eu menti para mim mesma, me enganei, me iludi, me confundi.
Eu achei que queria ser outra pessoa, aquela lá do filme, sabe? Achei que queria ser um mulherão, tomar as rédeas, botar pra foder. Queria ser aquela mártir da novela, aquela aflita da música, aquela maldita do poema, aquela desgraçada ali da esquina. É tão complicado e ao mesmo tempo tão simples, eu sei que não era a coitada ali, mas queria ser, porque eu queria dar um jeito em tudo, queria resolver os problemas, queria olhar para trás e contemplar um mar de realizações.
Fui criada assim. Merda.
E talvez seja por isso que eu me enfie em tanta furada, em tanto projeto, em tanta balada, me meta com tantas pessoas, me envolva, me jogue, mergulhe e afunde, afunde, afunde, e quando olho lá do fundo mal vejo a superfície, e o esforço para nadar de volta é tão grande, cada passo é tão suado, que no fim eu já nem lembro como fui parar ali.
De repente, um insight. Tudo ficou claro. Absurdamente claro. É isso, é isso!
Eu quero, preciso de colo. Não quero ser mulherão, quero ser mulherzinha. Quero ser mimada. Quero não ter que trabalhar vinte e cinco horas por dia, quero não ter que pagar todas as contas do mundo, quero não ser a tábua de salvação. Quero ser fraca, quero chorar quando estou triste, quero dizer que não aguento mais e passar o dia trancada no quarto. Quero ficar em casa, cuidar das minhas plantas, dos meus gatos, escrever um monte de histórias bem fantásticas para os meus primos e um monte de histórias bem arrepiantes para o Max. Quero ir nadar no clube e em seguida encher a cara de cerveja e peixe frito, devidamente acompanhados de um macinho de cigarros. Quero ser amiga só dos tiozinhos e das tiazinhas, não quero ficar falando com gente que nada viveu e acha que tudo sabe. Quero comer comida saudável feita na hora. Quero ter tempo de olhar a chuva, quero acordar tarde no frio.
Chega, chega, chega.
E veio a solução, simples, fácil, a solução para todos os meus problemas. Vou me mandar daqui. Fechar a empresa, a casa, a cara e a vida. Pára tudo, umdoistrês, começaaaaaaaando novamente. Dessa vez, sério, parando de querer ser outra coisa e admitindo o que sou, por mais doído que seja. Caralho, essa sou eu.
Vou-me embora para Pasárgada... ops, para Manaus. E tenho dito.


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