5.11.2004

A gente começa a esperar por quem ama...



Caio na besteira de dizer ao meu estagiário, que não é muito experiente, que vou apresentá-lo ao meu roommate. Meu estagiário fica muito, muito empolgado. Marco o encontro para sexta, numa happy hour, sem grandes pretensões.

Ligo para Tito para saber se está a caminho, ele disse que sim, está entrando no ônibus. Meu estagiário todo feliz. Passam-se vinte minutos, quarenta minutos, uma hora. Ligo de novo, caixa postal. Meu estagiário já meio decepcionado, pede uma vodka. Mais meia hora, ligo de novo, caixa postal. Meu estagiário já está na terceira vodka e flerta com a moça da mesa ao lado. Desconfio que ele pensa que ela é um homem. Mais vinte minutos, o frio aumenta, e Tito não chega. Estamos numa mesa na calçada, onde venta muito, e o vento está frio. O Adriano reclama que não sente os dedos dos pés, o Felipe reclama que o Adriano reclama de tudo. Meu estagiário não sente frio algum, tanto que tira o casaco, os tênis e as meias. O Adriano diz a ele que se tirar mais uma peça de roupa ele próprio irá providenciar o desvirginamento que o jovem rapaz aguarda tão ansiosamente. A agressiva ameaça do Adriano parece muito engraçada para o meu estagiário, tão engraçada que ele resolve compartilhar com a moça da mesa ao lado, a mesma com quem ele estava flertando há menos de cinco minutos.

E chama a menina de “moço”, o que parece não agradá-la muito.

Com o quinto copo de vodka na mão, meu estagiário está um tanto entediado, e resolve dançar. E como não há música, ele mesmo resolve cantar. Não uma músiquinha bacana, engraçadinha. Ele logo apela para Fio de Cabelo. Aos berros.

Felipe levanta-se e sai sem se despedir, creio que para ninguém perceber que ele nos conhece.

Adriano vai ao banheiro e nunca mais volta.

As pessoas do ônibus no trânsito congestionado fazem coro com meu estagiário.

Eu caio da cadeira de tanto rir.

O cara do boteco expulsa a gente. Pela terceira vez. Isso começa a ficar ridículo.

Tito chega, finge que não nos vê e atravessa a rua.

Puxa, as intenções eram as mehores. Não pensei que o menino dava show quando bêbado. Uma pena.