5.03.2004

Close to me




Não, não é nada disso. Tito é um cara muitíssimo bacana e gente finíssima e usarei quantos superlativos forem necessários para me redimir. Ele até me deu uma calça linda e de marca (que, claro, não me serve porque estou gorda) e um beijo e quer me fazer feliz.

É que eu sou claustrofóbica. Neurótica, depressiva, obssessiva, paranóica e claustrofóbica. MINHA CASA, que parecia tão grande, ficou pequena. Tem muita coisa agora. E eu estou com medo, caralho, eu sou tudo e ainda medrosa. Quero abrir as janelas porque acho que o ar está acabando. E tem minha mãe (que para completar a cena dantesca resolveu passar uns diazinhos aqui) e Max e Tito e minhas gatas e está todo mundo junto, e eu estou sufocada e com medo. Mas não posso abrir as janelas, minhas gatas fogem. As paredes estão chegando perto, perto, quase encostando. Queria comer assim um macarrãozinho com molho vermelho, mas a cozinha é pequena demais e está todo mundo lá. Queria assistir assim uma tevê mas só tem uma e está todo mundo lá. Queria ler assim meu Jung com uma luz bem fraquinha mas está todo mundo lá acendendo a luz e falando perto de mim. Queria escrever assim uma história de terror bem arrepiante que um dia vai virar um filme mas só tem um computador e está todo mundo lá, querendo jogar uns joguinhos idiotas e fazer trabalhos idiotas de faculdade. NÃO DÁ.

Um dia eu ainda vou ter muita grana e comprar um andar inteiro de um prédio, derrubar todas as paredes e ter só minha cama, minha tevê, meu computador e minhas gatas. E SÓ. E ninguém vai entrar lá porque eu vou engolir a chave.