War for territory
Pela primeira vez depois da briga falei com a Carol. Na verdade, ela falou comigo. Ligou primeiro para o Max pra convidar-nos para o aniversário do Álvaro, e depois por algum motivo se sentiu na obrigação de falar diretamente comigo, como se não fosse suficiente avisar apenas ao Max. Talvez já estivesse querendo reatar os laços, talvez apenas quis ouvir meu tom de voz em resposta ao convite. Talvez, como disse o Max, ela realmente acha que nada aconteceu, ou pelo menos acha melhor fingir que nada aconteceu.
Sabiamente ela avisou que não era ela que estava organizando a festa, porque já sabia que, caso contrário, nós provavelmente não iríamos. Claro que dissemos que iríamos, nós nunca ficamos ressentidos com nada. Nós somos o casal mais foda do universo, somos legais e educados.
A festa foi legal, festa de pobre, daquele jeito. Claro que nós não ligamos pra isso, essas são as mais divertidas, as pessoas tomam Antarctica quente e jogam truco aos berros. Nós adoramos isso. É bão demais.
A parte bacana mesmo foi me comportar como visita, e não como madrinha do filho deles e amiga há mais de 10 anos. Ouvir mais do que falar. Quem ouve mais do que fala percebe várias coisas que os outros não percebem, e eu percebi e entendi várias coisas estavam absolutamente sem explicação até agora. Não entendi tudo, mas pelo menos minhas conclusões extremamente partidárias ficaram um pouco menos distorcidas. Eu tinha razão em algumas coisas, tipo a insegurança e necessidade exagerada de atenção da Carol, porque só agora percebi como ela fala alto quando quer que alguém preste atenção nela. Não daquele jeito que nós, humanos, fazemos. Ela grita para que até quem não está participando da conversa ouça o que ela diz, e corre os olhinhos desvairados de um lado para o outro, para ter certeza que todo mundo ouviu, entendeu e está rindo da piada. Cristo, coisa mais esquisita! No começo da noite a menina já estava rouca. O Álvaro sempre disse que a idéia dela é ganhar tudo no grito, mas não imaginei que ele estava sendo literal. E eu tinha razão em outras coisas também, mas é difícil explicar. Eu sei que tinha razão e já está de bom tamanho.
Agora, não sei se foi impressão minha, mas... acho que ninguém estava fedendo. Ou isso ou eu ando fumando demais e meu olfato foi pro espaço.
Pela primeira vez depois da briga falei com a Carol. Na verdade, ela falou comigo. Ligou primeiro para o Max pra convidar-nos para o aniversário do Álvaro, e depois por algum motivo se sentiu na obrigação de falar diretamente comigo, como se não fosse suficiente avisar apenas ao Max. Talvez já estivesse querendo reatar os laços, talvez apenas quis ouvir meu tom de voz em resposta ao convite. Talvez, como disse o Max, ela realmente acha que nada aconteceu, ou pelo menos acha melhor fingir que nada aconteceu.
Sabiamente ela avisou que não era ela que estava organizando a festa, porque já sabia que, caso contrário, nós provavelmente não iríamos. Claro que dissemos que iríamos, nós nunca ficamos ressentidos com nada. Nós somos o casal mais foda do universo, somos legais e educados.
A festa foi legal, festa de pobre, daquele jeito. Claro que nós não ligamos pra isso, essas são as mais divertidas, as pessoas tomam Antarctica quente e jogam truco aos berros. Nós adoramos isso. É bão demais.
A parte bacana mesmo foi me comportar como visita, e não como madrinha do filho deles e amiga há mais de 10 anos. Ouvir mais do que falar. Quem ouve mais do que fala percebe várias coisas que os outros não percebem, e eu percebi e entendi várias coisas estavam absolutamente sem explicação até agora. Não entendi tudo, mas pelo menos minhas conclusões extremamente partidárias ficaram um pouco menos distorcidas. Eu tinha razão em algumas coisas, tipo a insegurança e necessidade exagerada de atenção da Carol, porque só agora percebi como ela fala alto quando quer que alguém preste atenção nela. Não daquele jeito que nós, humanos, fazemos. Ela grita para que até quem não está participando da conversa ouça o que ela diz, e corre os olhinhos desvairados de um lado para o outro, para ter certeza que todo mundo ouviu, entendeu e está rindo da piada. Cristo, coisa mais esquisita! No começo da noite a menina já estava rouca. O Álvaro sempre disse que a idéia dela é ganhar tudo no grito, mas não imaginei que ele estava sendo literal. E eu tinha razão em outras coisas também, mas é difícil explicar. Eu sei que tinha razão e já está de bom tamanho.
Agora, não sei se foi impressão minha, mas... acho que ninguém estava fedendo. Ou isso ou eu ando fumando demais e meu olfato foi pro espaço.


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