4.16.2004

My cries fell on deaf ears




Já que não adianta muito ficar se lamentando, acho melhor continuar como se nada tivesse acontecido. Melhor continuar de onde parei... como diz minha mãe, águas passadas... assim mesmo, ela nunca termina a frase. Não fosse minha vó me explicar, até hoje eu não saberia o que as águas passadas fazem.

E aí hoje dormi mal, virei pra lá, virei pra cá, gato miando na porta do quarto, barulho de coisa caindo, a vizinha de cima sapateando às duas da manhã com seus saltinhos pra lá e pra cá, brigando com o Agip, o Incrível Cão de Oito Patas, que gania como se fosse o fim do mundo, carros freando, gente falando. Parece que ninguém tava com sono ontem à noite. Eu tava, e não conseguia dormir.
Mas uma coisa compensou: num determinado momento da briga com travesseiros e lençóis, pedi uma trégua e levantei, meio sonada, para ir ao banheiro. E fui no escuro, sem acender as luzes! Não tropecei em nada, não bati a canela e não derrubei nada. Portanto, é oficial: a casa nova já não é mais tão nova, é a minha casa. Agora eu sei onde ficam os interruptores e acendo as luzes sem tatear a parede; sei que a porta do armário embaixo da pia não para fechada e precisa de um chute pra funcionar; sei que não dá pra abrir nenhuma torneira enquanto alguém toma banho. Até o cara que entrega a água compartilha da minha felicidade: descobrimos um jeito, juntos, de colocar o garrafão na prateleirinha alta pra caramba na cozinha. E ele me confidenciou, hoje de manhã: "demorou, mas conseguimos". Há! Conseguimos! É a minha casa, finalmente. E também já parei de sonhar com a casa antiga e com o Davi. Estou livre.

Joy to you and me...