4.29.2004

I stole, and then I lied just because you asked me to



Descobri, finalmente, por que minha vida anda desse jeito. E olha que eu nem fumei nada hoje.
A lógica é simples: aqui se faz, aqui se paga. Só porque eu sou tão parecida com a minha vó é que ME PERMITO (eu adoro falar me permito) usar ditados. Todos eles. Bom, voltando ao assunto, aqui se faz, aqui se paga. Essa é a lógica d’o inferno é aqui. Então, simples assim. Eu fui má com a indústria fonográfica e aí o Todo-Poderoso anda me punindo. Bad, bad girl.

Tudo começou com o Metallica, que tipo, eu gosto. Aí eu gravei um CD, o primeiro CD de mp3 com uma banda só da minha vida. E era do Metallica. Alguns meses depois anunciaram o show dos caras no Brasil. Fiquei toda empolgada. O Max comprou ingressos para nós. Gastou um milhão de dólares nos ingressos. Contei para todo mundo que eu ia no show. E aí eles cancelaram o show, por alguma viadagem que só os cheios da grana podem alegar. Nem prestei atenção no que era. Só fiquei puta da vida e jurei que nunca mais ia ouvir Metallica na minha vida. O Max recebeu o dinheiro dos ingressos de volta. E ponto final.
(só um aparte aqui: eu continuei ouvindo Metallica escondida até que um dia passei na frente de uma Loja Marabraz e estava tocando Nothing Else Matters, tão alto como o Bonde do Tigrão. E o vendedor estava cantando. Fiquei traumatizada e nunca mais ouvi Metallica mesmo.)

Depois veio o CD que eu gravei com músicas que só eu e o Max gostamos, músicas-tema de filmes dos anos 80. Aí fomos na Telexpo e como estávamos pobres e não tínhamos grana para o estacionamento, paramos o carro na rua. Conclusão, arrebentaram o vidro e levaram o som (e todo o resto), com meu CD dentro. Prejuízo com o vidro do carro, com o próprio rádio e com a jaqueta que o Max trouxe de New York e que era linda e que ele amava tanto. A jaqueta insubstituível.

E por último, mas não menos importante, no dia em que eu resolvi, finalmente, me libertar dos anos 80 e gravar um CD só com músicas dois-mil-pra-cá, nosso pobre carrinho foi covardemente destruído. Antes que pudéssemos chegar no dito, alguns gatunos (eu também adoro falar gatunos) arrebentaram o vidro e levaram o rádio. De novo. O rádio que foi comprado para substituir o rádio que foi levado há menos de um mês.

Portanto, tive uma visão, e compreendi tudo: a cada CD, uma tragediazinha. O Todo-Poderoso fez um acordo com a indústria fonográfica e está me punindo. Só pode ser isso.