4.30.2004

Ch-ch-ch-ch-changes



Amanhã vou para a casa da minha mami fofíssima, que eu amo demais. Amanhã Tito se muda para a minha casa. Amanhã é Dia do trabalho, mas ninguém trabalha. Amanhã...

I was born to take care of you every single day of my life





Cara, quer ouvir uma história de arrepiar? Arrepiar, emocionar, sorrir, chorar? Então lá vai.

Aí tinha um casal, que se conheceu há muito, muito tempo atrás. Ele era militar, e foi designado para trabalhar na cidade dela. Ela era uma menina ainda, brincava com as irmãs na rua, todas descalças. Naquele tempo não tinha violência e as ruas eram de terra.
Só que também não tinha água encanada, então ela ia todos os dias buscar água num poço longe demais da casa dela. E o tal poço era perto do quartel onde ele estava, e ele a via todos os dias, e se apaixonou pela pele morena e pelos cabelos longos de índia dela.
Um dia ele desceu da guarita e esperou por ela. Ela veio, rebolando, despreocupada, como só as meninas-moças sabem fazer. Sedutora. Deus, ele pensou, ela é linda. E foi falar com ela. E ela sorriu aquele sorriso lindo de dentes de contas para ele, e disse que não podia namorar, porque o pai dela não deixava. E ele falou, atordoado, sonhando, flutuando, então case comigo. Ela não quis; disse que mal o conhecia. E ele voltou ao trabalho.
Mas não desistiu.
Descobriu onde ela morava, e foi à casa dela. Ela sorria um sorriso brejeiro meio escondida atrás das cortinas enquanto ele falava com o pai dela. O pai dela concordou com o casamento.
Ela lavou os pés, mas casou descalça.
Eles tiveram muitos filhos, mas muitos deles morreram. Ela era uma menina e não sabia cuidar deles. Cresceram saudáveis três deles; duas meninas e um menino.
Vieram os problemas e foram-se os problemas. Mudaram-se de cidade infinitas vezes, devido à profissão dele. Mudaram os planos infinitas vezes, devido ao sorriso dela. E amaram-se infinitamente, tanto quanto foi possível, tanto quanto o tempo permitiu.
Então ela ficou doente.
Febre alta por muitos dias, já mal saía da cama. Ele pediu uma licença e ficou junto dela, tocando seu trompete o mais baixo que conseguia, porque ela pediu.
Então, numa manhã meio fria, ela disse pela última vez que o amava. Ele chorou, sabia que ela tinha ido. Ele deitou-se ao lado dela e disse também, pela última vez, que a amava. E se foi também.
Uma de suas filhas encontrou-os assim, abraçados, e aparentemente felizes.

Ok, meio Eduardo e Mônica / Romeu e Julieta? A diferença dessa história é que aconteceu de verdade. Eu sei porque estava lá.

Pérola do trampo do Max

maxter (15:46) :
um mano aqui tem o dom de chamar Cizenandi
drilad (15:46) :
fala sério
maxter (15:47) :
cruel
maxter (15:47) :
filho do Seu Cinzeiro e da Dona Andi

Dicas Gastronômicas do Maravilhoso Mundo do Largo da Batata.

Que eu estou na miséria, não preciso repetir que todo mundo já sabe. Que antes eu trabalhava do lado de casa e ia a pé e dava sempre para dar uma fugidinha e comer um pedaço de pizza congelada quando aparecia aquele fantasma da fome de desenho do Pica-Pau, alguns sabem. Que eu agora procuro alternativas de comidas baratas, que o Max carinhosamente chama de “entrocha” (o que quer que isso queira dizer), ninguém sabe. Então, vamos aos meus 10 principais achados:

1) Tiozinho na esquina da Teodoro com a Faria Lima: 3 pães de queijo = 1 real (adoro pão de queijo, mas esse dá medo)
2) Carrinho na Faria Lima: 1 dogão = 1 real - grátis um copo de suco (eu tenho nojo de salsicha, e o suco é ligeiramente azulado)
3) Lojinha de 1,99 na Teodoro: 3 pacotes de Trakinas Gigantes = 1 real (muito boa essa dica; as Trakinas são gigantes mesmo)
4) Barraquinha no fim da Cardeal: 2 chocolates = 1 real (não pense que é um Nestlé)
5) Lanchonete do lado da barraquinha na Cardeal: 1 sorvete de casquinha = setenta e cinco cents (a casquinha é meio fofa, mas...)
6) Pastelaria na frente do terminal de ônibus: pastel de queijo = 1 real (ai, meu fígado!)
7) Boteco do lado da pastelaria: coxinha = 1 real (coxinha, bolinho de óleo... quem saberá a diferença?)
8) Boteco mais ali na frente na Faria Lima: PF de qualquer coisa = 4 reais (tá certo a salada sair correndo do prato no meio do almoço?)
9) Lanchonete na Faria Lima: PF com filé de frango = R$ 6,50 (esse é o melhor PF que eu já comi na minha vida)
10) Na mesma lanchonete: cheese salada = R$ 4,50 (meio caro para um x, mas o hambúrguer é gostoso, feito por eles, e vem com um molhinho tártaro muito bom)

So far, so good. Continuarei pesquisando.

Quem não tem colírio usa óculos escuros



Chegar dez minutos atrasado, beleza, eu não ligo. Chegar vinte minutos atrasado, vá lá, o trem atrasou, teve um assalto, alguém levou um tiro, sem problemas. Chegar meia hora atrasado, ok, o cachorro fugiu, a carrocinha levou. Chegar quarenta minutos atrasado, fazer o quê, o despertador não tocou, acabou a água, a chave sumiu. Agora, chegar uma hora atrasado, com os olhos vermelhos feito o coelhinho da páscoa, rindo feito idiota, é muito para mim. Fumar maconha às oito e meia da manhã e ir para o trabalho em seguida é um pouco demais, certo? Ainda mais com um monte de trabalho atrasado. Hoje vão dois para a rua. Sem desculpas.

4.29.2004

I stole, and then I lied just because you asked me to



Descobri, finalmente, por que minha vida anda desse jeito. E olha que eu nem fumei nada hoje.
A lógica é simples: aqui se faz, aqui se paga. Só porque eu sou tão parecida com a minha vó é que ME PERMITO (eu adoro falar me permito) usar ditados. Todos eles. Bom, voltando ao assunto, aqui se faz, aqui se paga. Essa é a lógica d’o inferno é aqui. Então, simples assim. Eu fui má com a indústria fonográfica e aí o Todo-Poderoso anda me punindo. Bad, bad girl.

Tudo começou com o Metallica, que tipo, eu gosto. Aí eu gravei um CD, o primeiro CD de mp3 com uma banda só da minha vida. E era do Metallica. Alguns meses depois anunciaram o show dos caras no Brasil. Fiquei toda empolgada. O Max comprou ingressos para nós. Gastou um milhão de dólares nos ingressos. Contei para todo mundo que eu ia no show. E aí eles cancelaram o show, por alguma viadagem que só os cheios da grana podem alegar. Nem prestei atenção no que era. Só fiquei puta da vida e jurei que nunca mais ia ouvir Metallica na minha vida. O Max recebeu o dinheiro dos ingressos de volta. E ponto final.
(só um aparte aqui: eu continuei ouvindo Metallica escondida até que um dia passei na frente de uma Loja Marabraz e estava tocando Nothing Else Matters, tão alto como o Bonde do Tigrão. E o vendedor estava cantando. Fiquei traumatizada e nunca mais ouvi Metallica mesmo.)

Depois veio o CD que eu gravei com músicas que só eu e o Max gostamos, músicas-tema de filmes dos anos 80. Aí fomos na Telexpo e como estávamos pobres e não tínhamos grana para o estacionamento, paramos o carro na rua. Conclusão, arrebentaram o vidro e levaram o som (e todo o resto), com meu CD dentro. Prejuízo com o vidro do carro, com o próprio rádio e com a jaqueta que o Max trouxe de New York e que era linda e que ele amava tanto. A jaqueta insubstituível.

E por último, mas não menos importante, no dia em que eu resolvi, finalmente, me libertar dos anos 80 e gravar um CD só com músicas dois-mil-pra-cá, nosso pobre carrinho foi covardemente destruído. Antes que pudéssemos chegar no dito, alguns gatunos (eu também adoro falar gatunos) arrebentaram o vidro e levaram o rádio. De novo. O rádio que foi comprado para substituir o rádio que foi levado há menos de um mês.

Portanto, tive uma visão, e compreendi tudo: a cada CD, uma tragediazinha. O Todo-Poderoso fez um acordo com a indústria fonográfica e está me punindo. Só pode ser isso.

You're on the Candid Camera



E aí o porteiro do prédio MANDOU eu e o Adriano pararmos de fazer careta para a câmera do elevador. Disse também que o tal aviso “Sorria, você está sendo filmado” não é para ser seguido à risca.

Pérola da Princesinha de Pinheiros



- Tio, quanto dá mais ou menos três reais de pão de queijo?
Silêncio. Raciocínio.
- Uns três reais.
- Sério?

Will and Grace




Ok, ok, uma hora isso teria que acontecer. Nada de falar sozinha, deixar a louça na pia até embolorar, deixar cenoura brotar na geladeira, deixar roupa amontoada no chão (que até eu tenho medo de mexer depois), deixar dois dedos de pó sobre os móveis. Minha vida de dá-pra-plantar-couve-na-poeira-embaixo-da-cama e caralho-isso-tudo-é-pelo-da-sua-gata-? foi pro beleléu, e finalmente me convenci que uma saída seria arrumar alguém pra rachar o apartamento. Lógico, Dona Eliana quase teve uma síncope, mas, vá lá, ela também sabe que a parada tá feia demais e o SPC anda rondando minha porta.
Falei com o Felipe, que como bom ator tem um monte de amigos tão sem grana quanto eu e que adorariam um quarto num apartamento com janelão. Logo de cara ele pensou no Tito, falou com o cara, que por sua vez me ligou, imediatamente. Pelo jeito não sou só eu em pânico absoluto. Aí Tito foi lá, olhou, mediu, abriu portas e janelas, fuçou, afofou minhas gatas e topou. Yes! Isso vai me livrar de um grande sufoco.
Esse fim de semana Tito se muda. E eu perco toda a minha privacidade... por uma boa causa. Pelo menos parece que Tito cozinha bem (todo gay cozinha bem?) e eu vou parar de me alimentar basicamente de macarrões instantâneos e cenoura que brotou na geladeira. Max gostou da idéia, ele acha que eu vou parar de pedir dinheiro emprestado para ele agora. Coitado.

4.28.2004

Lemme tell ya them guys ain't dumb



Cara, meu trabalho é bom mesmo. Nem todos os meus clientes concordam, haja visto a enorme dificuldade em me pagar depois do trabalho pronto. Só que, pasmem, aparentemente um moleque viu um logo muito bacaninha que eu fiz para testar um totem 3D, copiou, aplicou, apresentou para uma tia de um bar em Osasco, que lógico, adorou e comprou a idéia e pagou o tal moleque. Tem gente ganhando com o meu trabalho. E eu na miséria. Tem algo errado nisso.

By the way



Parece mentira, né? Estou devendo para tanta gente que até Francislene anda me ligando para cobrar. Logo quem. O negócio tá feio mesmo.

4.27.2004

Fato: as pessoas têm problemas com o uso da cedilha em nossa língua pátria. Ok, compreensível, todos cometemos gafes de vez em quando. Tenho uma amiga queridíssima e inteligentíssima que vira e mexe me manda um “agradeçer”... e eu nunca tive coragem de corrigi-la. Tudo bem que ela também fala “cabeleleiro”... anyway, todo mundo erra. Principalmente no “você”. Escrever “você” com cedilha já é doído. Temos um cliente que escreve, e todo e-mail que chega dele é uma festa, todos nós nos divertimos a valer, como diz aquela menina do rádio. Inclusive o Adriano, que apesar de ser meu ídolo, escreve “mecher”, “sujestão”, “planilia” e por aí vai. Agora, convenhamos, abreviar o tal “voçê” é de embrulhar o estômago. “queridinha, vç anda deprimida demais... bola pra frente!”. Essa foi demais para mim.

Mais rápido que uma tartaruga...


O Adriano é muito foda. Se eu fosse um homem, eu queria ser que nem ele. Olha o que o cara me manda hoje, logo cedo: Isso me dá coisas. (Dr. Chapatin).

Troféu de frase mais engraçada da semana.

So learn the gentle art of making enemies




Aí me liga a tia da revista que fala esquisito. Vocês mudaram de endereço?, pergunta ela, tão delicada. E eu respondo mais delicada ainda, sim, mudamos, não é o máximo? Puxa, ela diz, as últimas faturas que enviamos para vocês voltaram, e ainda não consta seu último pagamento... Nooooossa!, eu digo, simpática, acho que esqueci de avisar vocês sobre a mudança... Merda, o que eu podia fazer? Gritar com ela que demos um passo grande demais e agora o tamanho de nossa dívida convertida em dólar dá para pagar a dívida externa da Argentina? E que parte da culpa é dela, que o anuncinho caro pra cacete que fizemos não deu nenhum retorno? Que nenhuma alma empresária cheia da grana se compadeceu de nossa situação de iniciantes e nos pediu nem um trabalhinho miserável? Que eu não durmo há noites e choro todos os dias porque meu telefone continua cortado? Não, nada disso vale a pena ser dito. Disse simplesmente que pago semana que vem e pronto.

Concluindo, agora é oficial: eu sou o Dudu, do Popeye. Pago na terça.

4.26.2004

I'm broke but I'm happy, I´m poor but I´m kind



A despeito da miséria total que estou vivendo nos últimos meses, fiz uma feijoada para os meus amigos que eu amo tanto ontem. Ficou uma delícia! Claro que usei a técnica infalível de demorar pra servir o rango, todo mundo morrendo de fome e cheio de caipirinhas do bucho, mas estava muito boa mesmo. Tinha todas aquelas coisas entupidoras de coronárias: torresmo, farofa com lingüiça, carne seca. Coisa boa! Foram até o Felipe com a Ana e o filho lindo e sorridente deles, que adorou minhas gatas... nem contei que nosso carro foi covardemente destruído para não quebrar o clima. Depois todos ficamos bêbados, e bêbado que é bêbado joga truco. Os vizinhos devem ter ficado muito felizes com a nossa gritaria etílica. Nem ligo. Bem feito para a minha vizinha de cima, a Sapateadora, dona do Agip, O Incrível Cão de Oito Patas. Depois fui levar o Felipe em casa, e chorei no ombro dele até ficar com os olhos inchados. Chorei para ele porque eu estava com pena demais de mim mesma e ele entende o que é isso, o Max não entende. Me senti melhor depois, mas hoje de manhã, por causa da ressaca e da perspectiva zero de conseguir a grana do aluguel, chorei de novo, sozinha. Que coisa mais deprê, chorar sozinha no banheiro. Não vejo a hora de passar essa fase ruim. Enquanto isso, eu choro.

I'm only pretty sure that I can't take anymore




Jesus Maria José. Como diz meu pai, quando a gente está com azar, urubu de baixo caga no de cima. Vai se foder, puta azar da porra. Isso não é normal, eu devo ter jogado pedra na cruz. Ou como diria a Fê, joguei um caixa eletrônico na cruz.
Bom, aí sábado estávamos eu e o Max em casa porque não temos mais grana nem pra ir em boteco, e acabamos indo dormir cedo. Lá pelas 3 da manhã toca o celular do Max, que correu pra atender mas não deu tempo, e ele me falou o número que ligou, parecia ser de lá de perto de casa, mas não reconheci, e como estava meio dormindo, falei “deixa pra lá”, me virei e tentei pegar no sono de novo. Quando eu estava quase dormindo, toca o interfone, e acordamos assustados, claro, mas não atendemos, e eu fui na janela olhar quem era, mas não vi ninguém. Pensei ser alguma brincadeira de moleque, e o Max ainda brincou “não querem deixar a gente dormir hoje”, eu ri e já ia deitar de novo, quando escuto uma voz de homem, que havia chamado outro apartamento: - Aqui é da polícia, a senhora conhece algum Max nesse prédio?
Meu pobre coração quase parou. Pensei em tudo num milésimo de segundo, menos no que viria. Falei para o Max atender o interfone, e depois de um minuto volta ele com cara de bosta, “arrebentaram o carro”. Caralhoooooooo!
- Como assim?
- Um cara bateu no nosso carro e fugiu.
- Como fugiu Maques?
- Sei lá, vamos lá ver.
E fomos lá ver, tadinho do carrinho. O cara veio que nem doido, e provavelmente bêbado à la Boris Ieltsin, se perdeu na curva suave da avenida super larga (sem ironias) e chumbou a traseira do nosso carrinho que repousava em paz no mesmo lugar desde quarta feira passada, considerando a falta de grana para o estacionamento e a gasolina.
Um tiozinho que ia passando viu, e tadinho, disse que ainda tentou ver a placa do carro mas não conseguiu. Chamou a polícia, ele não sabia o que fazer e ficou assustado. Só viu que era um Honda, e que ficou bastante amassado também, mas como ainda andava, o cara tratou de se mandar mais do que depressa. Puta que o pariu. Tem seguro, claro, mas existe a tal franquia, que até hoje eu não entendi para que serve e custa a bagatela de R$ 1.500,00. Agora, me diga, de onde as pessoas esperam que eu tire R$ 1.500,00? Os caras da seguradora só podem estar brincando comigo. E toca andar de ônibus por uns meses, até que eu ganhe na mega sena acumulada.
E por falar nisso, desconfio que Deus anda de mal comigo. Tantas coisas que poderiam acontecer comigo na linha “uma-chance-em-um-milhão”, dentre elas ganhar na loteria, e Deus escolhe um bêbado filho da puta e cuzão bater no meu carro. Ô poderoso, vamos conversar, rapaz, o que eu ando fazendo de errado? Me ajuda, cara, preciso de ajuda. Espero, do fundo do meu coração, que a máxima the Lord works in mysterious ways se aplique, a seguradora dê perda total no carro e a gente não tenha que pagar a franquia. Caso contrário, meu amigo, estou na merda. Mais ainda.

4.23.2004

A televisão me deixou burro, muito burro demais




Designer: Fazfavor, procura aí na internet pra mim uma foto da câmara municipal.
Estagiário: Hã?
Designer: Procura aí uma foto da câmara municipal de São Paulo.
Estagiário: Onde?
Designer: Na internet.
Estagiário: Tá no servidor?
Designer: Não, entra no Google e procura por câmara-municipal-são-paulo.
Estagiário (5 minutos depois): Só vem uns links, nenhuma foto.
Designer: Quando você entrar no Google, clica na guia de imagens senão não vai vir imagem nenhuma mesmo.
Estagiário: Ah tá.
Estagiário (5 minutos depois): Entra no Google e clica aonde?
Designer: Em imagens.
Estagiário: Não tô vendo.
O Designer se levanta e vai mostrar na tela onde está o link.
Estagiário: Meu, que legal! Não sabia que dava pra fazer isso...
Designer: Pois é.
Designer (15 minutos depois): Achou?
Estagiário: Hã?
Designer: Achou a foto?
Estagiário: Hummmm... não.
Designer: Você tá procurando pelo menos?
Estagiário: Claro que tô.
Estagiário (5 minutos depois): Pode ser de outra cidade?
Designer: Não, só serve de São Paulo.
Estagiário: Tá.
Estagiário (15 minutos depois): Precisa ter muita gente na frente?
Designer: Como assim?
Estagiário: Tipo comício, passeata...
Designer: Não, é só uma foto da fachada.
Estagiário: Então achei.
Designer: Deixa eu ver.
Designer (30 segundos depois): Não serve foto da prefeitura. Deixa pra lá, vai.
Estagiário: Beleza.

Burn, motherfucker, burn



É engraçado como as pessoas são cara de pau. Contratam o seu serviço, você se desloca, perde tempo, pega trânsito, se fode, paga um milhão de dólares de estacionamento, fica em pé de salto por 6 horas ouvindo um lunático gritando como pastor de igreja evangélica, aguenta um fotógrafo paranóico achando que todo mundo tá falando dele e na hora de pagar por tudo isso, ninguém quer. Ah, mas, tudo isso...? Deixa eu falar com o chefe pra ver se ele aprova... Caralho, eu já fiz o serviço! Não dá pra voltar atrás agora... tenho um monte de conta pra pagar e esse povo acha que eu estou brincando aqui. Vai ter volta. Um dia eu vou ficar milionária e pisar em todo mundo que não me leva a sério. Bando de filho da puta.

4.20.2004

Think I'll buy me a football team.



Pelo menos achei meu cartão do banco (que não tem dinheiro) antes da minha (única) calça ir para a máquina de lavar. Calça esta que será lavada (claro) no dia que eu resolver lavar roupas.

New car, caviar, four star daydream,



Contagem regressiva para o pagamento do primeiro aluguel do escritório, e eu sem um real na conta. Quero só ver o que eu vou fazer esse mês.

War for territory



Pela primeira vez depois da briga falei com a Carol. Na verdade, ela falou comigo. Ligou primeiro para o Max pra convidar-nos para o aniversário do Álvaro, e depois por algum motivo se sentiu na obrigação de falar diretamente comigo, como se não fosse suficiente avisar apenas ao Max. Talvez já estivesse querendo reatar os laços, talvez apenas quis ouvir meu tom de voz em resposta ao convite. Talvez, como disse o Max, ela realmente acha que nada aconteceu, ou pelo menos acha melhor fingir que nada aconteceu.
Sabiamente ela avisou que não era ela que estava organizando a festa, porque já sabia que, caso contrário, nós provavelmente não iríamos. Claro que dissemos que iríamos, nós nunca ficamos ressentidos com nada. Nós somos o casal mais foda do universo, somos legais e educados.
A festa foi legal, festa de pobre, daquele jeito. Claro que nós não ligamos pra isso, essas são as mais divertidas, as pessoas tomam Antarctica quente e jogam truco aos berros. Nós adoramos isso. É bão demais.
A parte bacana mesmo foi me comportar como visita, e não como madrinha do filho deles e amiga há mais de 10 anos. Ouvir mais do que falar. Quem ouve mais do que fala percebe várias coisas que os outros não percebem, e eu percebi e entendi várias coisas estavam absolutamente sem explicação até agora. Não entendi tudo, mas pelo menos minhas conclusões extremamente partidárias ficaram um pouco menos distorcidas. Eu tinha razão em algumas coisas, tipo a insegurança e necessidade exagerada de atenção da Carol, porque só agora percebi como ela fala alto quando quer que alguém preste atenção nela. Não daquele jeito que nós, humanos, fazemos. Ela grita para que até quem não está participando da conversa ouça o que ela diz, e corre os olhinhos desvairados de um lado para o outro, para ter certeza que todo mundo ouviu, entendeu e está rindo da piada. Cristo, coisa mais esquisita! No começo da noite a menina já estava rouca. O Álvaro sempre disse que a idéia dela é ganhar tudo no grito, mas não imaginei que ele estava sendo literal. E eu tinha razão em outras coisas também, mas é difícil explicar. Eu sei que tinha razão e já está de bom tamanho.
Agora, não sei se foi impressão minha, mas... acho que ninguém estava fedendo. Ou isso ou eu ando fumando demais e meu olfato foi pro espaço.

4.16.2004

Parabéns, Álvaro, do fundo do meu coração.

Always thinking of you. Always.

My cries fell on deaf ears




Já que não adianta muito ficar se lamentando, acho melhor continuar como se nada tivesse acontecido. Melhor continuar de onde parei... como diz minha mãe, águas passadas... assim mesmo, ela nunca termina a frase. Não fosse minha vó me explicar, até hoje eu não saberia o que as águas passadas fazem.

E aí hoje dormi mal, virei pra lá, virei pra cá, gato miando na porta do quarto, barulho de coisa caindo, a vizinha de cima sapateando às duas da manhã com seus saltinhos pra lá e pra cá, brigando com o Agip, o Incrível Cão de Oito Patas, que gania como se fosse o fim do mundo, carros freando, gente falando. Parece que ninguém tava com sono ontem à noite. Eu tava, e não conseguia dormir.
Mas uma coisa compensou: num determinado momento da briga com travesseiros e lençóis, pedi uma trégua e levantei, meio sonada, para ir ao banheiro. E fui no escuro, sem acender as luzes! Não tropecei em nada, não bati a canela e não derrubei nada. Portanto, é oficial: a casa nova já não é mais tão nova, é a minha casa. Agora eu sei onde ficam os interruptores e acendo as luzes sem tatear a parede; sei que a porta do armário embaixo da pia não para fechada e precisa de um chute pra funcionar; sei que não dá pra abrir nenhuma torneira enquanto alguém toma banho. Até o cara que entrega a água compartilha da minha felicidade: descobrimos um jeito, juntos, de colocar o garrafão na prateleirinha alta pra caramba na cozinha. E ele me confidenciou, hoje de manhã: "demorou, mas conseguimos". Há! Conseguimos! É a minha casa, finalmente. E também já parei de sonhar com a casa antiga e com o Davi. Estou livre.

Joy to you and me...

The young man stepped into the hall of mirrors


Perdi tudo, tudinho, todos os sonhos, as histórias, os xingamentos e gritarias, tudo que estava no outro blog porque aparentemente eu fiquei muito tempo sem acessar - às vezes eu trabalho também - e o Sr. Weblogger se achou no direito de mandar tudo pra outra dimensão. Então vá à merda. Como sou vingativa, mudo de casa.

Paciência. Começar de novo... pena que os sonhos se perdem na memória, não conseguiria escrever de novo. Uma pena mesmo.